<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350</id><updated>2011-09-04T16:28:38.574+01:00</updated><category term='fly'/><category term='captivity'/><category term='canary'/><category term='wings'/><category term='freedom'/><category term='cage'/><title type='text'>Nas terras da Rainha</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>22</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-2495658858945328605</id><published>2010-12-08T01:36:00.004Z</published><updated>2010-12-08T01:45:56.919Z</updated><title type='text'>Para não esquecer dos contos e dos motivos:</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Hay toda clase de historias. Algunas nacen al ser contadas, su sustancia es el lenguaje y antes de que alguien las ponga en palabras son apenas una emoción, un capricho de la mente, una imagen o una intangible reminiscencia. Otras vienen completas, como manzanas, y pueden repetirse hasta el infinito sin riesgo e alterar su sentido. Existen unas tomadas de la realidad y procesadas por la inspiración y se convierten en realidad al ser contadas. Y hay historias secretas que permanecen ocultas en las sombras de la memoria, son como organismos vivos, les salen raíces, tentáculos, se llenan de adherencias y parásitos y con el tiempo se transforman en materia de pesadillas. As veces para exorcizar los demonios de un recuerdo es necesario contarlo como un cuento."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;                                              Isabel Allende. Cuentos de Eva Luna&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-2495658858945328605?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/2495658858945328605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=2495658858945328605&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2495658858945328605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2495658858945328605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2010/12/para-nao-esquecer-dos-motivos-de.html' title='Para não esquecer dos contos e dos motivos:'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-7322101810251523809</id><published>2010-03-22T02:11:00.004Z</published><updated>2010-03-28T02:57:36.161+01:00</updated><title type='text'>Vida</title><content type='html'>Apesar do raciocínio lógico que levava à morte planejada, não se considerava um suicida nato. O suicida verdadeiro era aquele covarde que não tinha coragem de enfrentar os problemas, aquele que sem pensar em outras saídas se matava e pronto. Ele não, ele tinha uma linha de raciocínio que o levava à morte, não era um suicida, apenas faria o que deveria ser feito. Não tinha problema algum, apenas percebeu que havia chegado a hora de morrer. Faria sem remorso, sem ressentimentos, sem culpa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade de sumir já lhe vinha atormentando a cabeça há muito tempo. Começou com a vontade de fazer uma viagem para um lugar desconhecido, onde ninguém o notaria, onde ninguém o cobraria. Ninguém iria olhá-lo com desdém, com pena ou com qualquer outro sentimento. Estava cansado de ter os olhos das pessoas voltados para ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não passava de um sonho inocente. Primeiro não tinha dinheiro para isso, depois, um dia teria que voltar, se voltasse teria que dar explicações e, mesmo se não voltasse, alguém o acharia graças às tecnologias de espionagem que se tem hoje em dia por aí. Ainda assim, se conseguisse um plano infalível de sumir sem deixar rastros, o efeito seria o de um suicídio seguido de um renascimento em um lugar desconhecido. Neste ponto, o plano fracassava, estava muito velho e cansado para nascer de novo. Foi mais ou menos assim, seguindo essa linha de raciocínio, aqui reduzida ao máximo possível, que ele deixou de lado a idéia de nascer de novo e assumiu como única saída possível o suicídio simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, embora o ato fosse nada mais do que prático, não conseguiu impedir os pensamentos de irem buscar na memória uma por uma, as pessoas que se chocariam com o evento. Irritou-se com o fato de se preocupar com os outros, era um ato simples, sairia da vida e pronto, uma escolha, ninguém tinha nada a ver com isso. Mas era impossível não pensar em quem estaria em seu velório chorando e sentindo a sua falta. Após checar um a um se chorariam ou não, a pergunta era se sentiriam culpa ou não pelo trágico fim que ele teria. A resposta era surpreendente, o egocentrismo tomava conta das pessoas até mesmo nesses momentos mais mórbidos. Quase todos queriam ter participação na causa mortis, talvez porque dessa forma se sacia o instinto assassino que todo ser humano traz consigo e é ensinado a reprimir para viver em sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a sua primeira namorada que não o via há anos seria assaltada do mesmo sentimento quando recebesse a notícia pelo facebook, Orkut, twitter ou qualquer outro site de relacionamento que contribuíram para retirar as Marias das janelas e as trouxeram para dentro de casa, voltadas para o outro lado da sala, onde as janelas são inúmeras, mas os raios do sol não entram. Antigamente as notícias teriam que respeitar uma ordem física, para chegar ao destinatário final; elas teriam que aguardar o tempo necessário de viagem de janela a janela, de boca a boca. Hoje, basta que a boca de uma Maria queira soltar a notícia e que outras Marias tenham ouvidos e olhos atentos para que ela se espalhe num instante. A primeira namorada seria uma dessas Marias atentas que, como já foi citado, tomaria as dores do suicídio e se sentiria uma das culpadas pelo incidente. Essa pelo menos tinha o discernimento de não se sentir totalmente culpada, ela queria apenas alguma porcentagem da culpa, mas não toda. Apenas aquela parcela que lhe faria sentir importante, que lhe daria a sensação de ter sido amada até o ultimo instante, de ter influenciado a vida de um homem, mas nunca a parcela definitiva, aquela que com as mãos laçaria o nó na corda e que com os pés chutaria a banqueta. Ela queria apenas a culpa de chorar um choro triste por uma ou duas noites, mas nunca a de carregar para o túmulo uma outra vida, ou uma outra morte. Isso nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma se sentiriam os vizinhos que nunca abaixaram o som nas terças à noite; os porteiros que nos dias chuvosos demoravam a abrir o portão de pirraça; o patrão que havia dado aquele esporro na semana anterior e até mesmo o cachorro da vizinha da frente que certa vez tinha urinado na porta dele; todos dividiriam uma porcentagem pequena da culpa da morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que nada disso o levaria ao ato de suicídio, que só seria consumado por vontade e desígnios próprios, nenhum outro ser tinha interferência nisso. Nem mesmo os mais próximos como a mãe e o filho. No entanto, foram exatamente estes dois que fizeram o plano ir por água abaixo. Não queria que nenhum dos dois levasse para sempre aquela culpa ingrata pelo ato que cometeria, apesar de ser quase impossível pedir-lhes isso. Não se faz um pedido desses nem para uma mãe nem para um filho, muito menos com uma carta de suicídio. Aliás, um suicida nato talvez nunca pensasse numa carta de despedidas, não se importaria com os outros, se mataria e pronto, sem se incomodar com a opinião de terceiros. Ele, no caso, pensava na mãe e no filho e a carta não seria suficiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos trêmulas da mãe pegariam o papel e levariam para próximo dos olhos, mas esses nem se esforçariam para ler, estenderia o bilhete para o policial que talvez teria pela frente uma das missões mais difíceis da sua carreira: ler para uma mãe desconsolada a carta de seu filho suicida. As palavras encontrariam os ouvidos de sua mãe e ela se lembraria da última conversa que teria tido com seu filho, ele parecia tão bem. Que tipo de mãe era ela que não percebera que o próprio filho tinha a companhia da morte em seus pensamentos? Que tipo de mãe não conhecia o próprio filho? “Mãe, não se culpe por nada, por favor. Fiz isso por mim, fiz porque era para ser feito.” Como não se culpar pela morte do filho? Onde havia errado? Falta de amor? Amor de mais? Onde havia errado? Porque ele não lhe dera nenhuma dica para que ela pudesse corrigir? Ou será que ele havia dado e ela não percebera? Enfim, sua mãe não merecia essas perguntas na cabeça, que com o tempo iriam se modificar, se agravar, e consumir cada minuto da sua vida até o momento em que se reencontrariam e ele poderia pedir desculpas pessoalmente. Não, ela não merecia isso. E quanto ao filho, esse não compartilharia agora as dores da avó, por causa da idade, mas, inevitavelmente, elas fariam parte do seu crescimento. Sentiria a falta do pai da mesma forma que ele também sentiu na infância. A diferença, é que nas poucas vezes que sonhava com seu pai ele não vinha lhe visitar com uma corda no pescoço, nem com os punhos pingando sangue. O filho não merecia viver com esses fantasmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, a idéia do suicídio enfraqueceu, a da morte não. Pensou talvez em se suicidar com um acidente planejado. Não precisaria esperar a morte vir lhe buscar e não seria tachado como um suicida, já que não o era. Morreria de forma que todos julgariam ter sido vítima de um acidente. Pensou em várias formas de se acidentar, mas não conseguiu criar nenhum plano que fosse perfeito a ponto de salvar a Mãe e o filho dos tormentos futuros. Pensou num acidente de carro, miraria em uma árvore e aceleraria até o choque, mas não tinha carro. Pensou em se embriagar e fingir uma queda da sacada do apartamento, mas não bebia. Pensou em cair no trilho do metrô, mas havia câmeras e seria fácil perceber o suicídio. Nada disso funcionaria, por mais que pensasse não conseguia uma saída viável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou então a esperar a morte e a sonhar com ela todas as noites. Quando criança tinha medo dessa imagem fria, pálida, com uma capa preta e foice na mão; hoje, ele sentia um amor platônico por ela. Ele estava completamente seduzido e apaixonado por ela, mas ela não sentia o mesmo por ele, com desdém, o esquecera e não mandava notícias. Como toda dama da noite, ele percebeu que teria que seduzi-la e não apenas esperar. Ela precisaria de um motivo para ir buscá-lo, ela teria que querer e desejá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que iniciou o jogo da sedução com a morte, pesquisou o que a atraia e começou a mudar seu comportamento para agradá-la. Descobriu que ela tinha uma queda por cirrose ou problema no fígado, passou a beber todos os dias. Ouviu dizer que câncer no pulmão era o que a deixava sem fôlego, passou a fumar cada vez mais. Concluiu que a flecha do cupido teria que acertar o coração, passou a comer indiscriminadamente e diminuiu as atividades físicas. Certa vez leu em uma dessas revistas semanais que ovo fazia mal, comeu ovo a semana inteira. Na semana seguinte, um outro estudo dizia que o ovo poderia fazer bem, parou de comer ovo. Toda noite antes de ir dormir tomava uma vitamina de manga. Não sabia o que poderia causar, mas lembrava de sua avó dizendo que não era bom, e como nenhum estudo que ele conhecesse tinha provado o contrário, era melhor arriscar. Certa vez em uma fila de supermercado ouviu a senhora da frente contar para a outra que o gato dela havia morrido por ter comido ração de peixe, “Acredita? Meu gato era alérgico a peixe”. Na mesma hora ele deixou a fila, foi direto à peixaria e comprou um pouco de cada peixe. Se até gato podia ter alergia a peixe, porque ele não? Por via das dúvidas comprou alguns frutos do mar também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou a viver sem medo, sem medo de morrer. Não evitava lugares, convites, pessoas, não evitava nada, procurava intensamente a morte em tudo o que via pela frente. Ironicamente, ela parecia esnobá-lo cada vez mais e passou a ser conhecido como um homem cheio de vida, seu comportamento atraia cada vez mais amigos e convites. A agenda foi se preenchendo de festas e compromissos sociais. Em uma dessas ocasiões, em uma festa no apartamento de um desses novos amigos, estava debruçado sobre o parapeito da sacada olhando fixamente para o chão a dez andares de distância quando uma garota se aproximou e lhe perguntou se estava procurando algo. A resposta veio instantaneamente “Sempre!” “Quem sabe eu não posso ajudá-lo?” Virou-se para responder que infelizmente ninguém podia, mas ficou sem ar ao vê-la e a frase não saiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota era de uma beleza clássica incrível. Vinha num vestido preto simples, cabelos negros, longos e soltos sobre o ombro, e a pele clara refletia com intensidade a luz da lua atrás dele. Ela percebeu que a resposta não viria tão cedo e aproveitou para se apresentar “Maria”, ele também se apresentou e a partir de então começaram a se ver quase que diariamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria, para ele, era apenas Mia. O apelido carinhoso veio devido ao primeiro encontro. Dizia que ela havia lhe roubado o ar naquela noite e nada mais justo que pegá-lo de volta do nome dela. A relação se fortaleceu e após alguns meses passaram a viver juntos e a dividir tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite, após dividirem prazeres e carinhos, Mia pediu para fazer uma pergunta, ele, apesar de sonolento e não querer começar uma conversa naquele momento, disse que claro, ela poderia perguntar qualquer coisa que quisesse. “Aquele dia em que nos conhecemos, você disse que estava sempre à procura de algo. O que era?”. Ele começou a responder instintivamente, sem pensar, porém antes de terminar a frase sentiu vergonha e percebeu que não era a melhor idéia dividir esses pensamentos com ela. A resposta, então, saiu assim, pela metade “A mor...”. Mia não percebeu a falta das duas letras “E já achou?”. Ele a olhou nos olhos e percebeu que “Sim”, ela era exatamente o que ele procurava e, mesmo sem saber, havia encontrado. Deu um beijo suave nos lábios de Mia, encostou a cabeça no peito dela e adormeceu tranqüilo enquanto ela acariciava seus cabelos. No dia seguinte, não acordou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-7322101810251523809?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/7322101810251523809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=7322101810251523809&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/7322101810251523809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/7322101810251523809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2010/03/vida.html' title='Vida'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-6177246804886399310</id><published>2009-11-14T23:27:00.002Z</published><updated>2009-11-14T23:31:23.356Z</updated><title type='text'>Gabriela</title><content type='html'>Um dia desses Gabriela entrou afobada na cozinha, com o ovo virado sabe? Acho que ela nem me viu no canto, sentada na cadeira perto da geladeira. Foi direto pro filtro, encheu um copo de água que tomou num gole só. Eu sempre digo que isso faz mal, que tem que respirar entre um gole e outro, mas parece que nunca me escuta. A mãe dela estava de costas no fogão, mas percebeu na hora que a filha não estava bem. Quem é mãe sabe essas coisas, não sei explicar direito, mas sente. Você sabe como é, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a Gabriela estava saindo da cozinha a mãe dela pediu para ela buscar um pacote de farinha na dispensa. Na verdade, a Isadora é bem esperta, ela nem precisaria pedir para a Gabriela, até porque eu estava ali e podia muito bem fazer isso, mas ela pediu só para a filha ficar mais um tempo na cozinha e tentar puxar conversa, saber o que estava aperreando a minha menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas começaram a conversar e eu no começo fingi que não estava ali. Estava morrendo de vontade de dar minha opinião, de dar meus conselhos. Mas aprendi com o tempo que conversa de mãe e filha não se deve meter a colher. Comecei a escolher feijões, mais para disfarçar do que por necessidade. Hoje em dia os feijões que a gente compra no supermercado quase nem tem sujeira. Antigamente que era um sofrimento, a gente jogava mais pro lixo do que pra panela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando a Gabriela chegou a mãe começou a rodear a menina com aquela conversa fiada.“Gabi, minha filha...” Não sei porque chama de Gabi, colocou o nome na menina de Gabriela e agora fica chamando de Gabi. Eu nunca achei isso certo. Mas vá lá né? mãe é mãe, vou falar o que? Eu sei como é, se eu desse um palpite ia sobrar pra mim e o que eu menos quero agora é problema pro meu lado.“...você viu no jornal hoje falando do filme daquele cara que você gosta?” “Não, qual?” Eu bem acho que não tinha filme nem cara nenhum, que a Isadora inventou isso só para puxar conversa com a filha. A gente que é mãe sabe dessas coisas, as vezes você começa com uma história boba, sem pé nem cabeça, e vai levando até pegar o fio da meada. “Aquele que fez aquele filme que ele tinha um bigodinho de cafajeste, mas na verdade era o mocinho do filme. Lembra? Que a gente assistiu aqui em casa, eu você e seu pai?” “Não mãe, não lembro, não sei do que você ta falando.” “que que foi minha filha?, que vozinha é essa?” Não falei, a Isadora não é boba não. Isso eu tenho que admitir, essa aí sabe bem das coisas, se faz de boba, mas de repente dá o bote. “Nada mãe, só um pouco chateada. Só isso, mas passa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, a Gabriela sempre foi uma menina alegre, feliz, daquelas que chegam cantando, te abraça, te dá um beijo e até começa a dançar com você, justo na hora que você ta atarefada. Às vezes eu acho que ela faz isso para aperrear mesmo, mas é um doce de menina. Quando ela ta assim tristonha da vontade de pegar no colo. Agora não dá mais que já ta uma moça, mas quando ela era menor, sentava com ela no sofá da sala e ficava horas lá com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele dia ela estava tristonha, qualquer um percebia, parecia que tinha um nó na garganta sabe? Com a conversa da mãe foi se acalmando e ficou ali sentadinha na outra ponta da mesa, tomando o copo de água que tinha enchido de novo, mas agora com golinhos pequenos e olhando pra toalha da mesa como que contando as florzinhas da estampa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mãe, quando a gente fica em duvida de alguma coisa. Como que a gente sabe o que que é melhor?” “É aquele moço de novo Gabi?” “Não mãe. To falando sério. E aquele moço é meu namorado, não fala assim dele não.” “que que foi então, minha filha?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu bem vi que essa conversa ia longe, tinha alguma coisa aperreando a minha menina e eu não podia fazer nada, não ali pelo menos, não naquela hora. Eu estava ali no meu canto escolhendo feijões. E a conversa foi longe mesmo, a Gabriela falava para mãe das vontades que ela tinha e dos medos, do medo de não estar fazendo a coisa certa. Ahh essas meninas de hoje em dia tem tanta coisa na cabeça que acabam se preocupando de mais, até com coisas bobas. A Isadora até que tava se saindo bem, tirando cada um dos medozinhos que atormentava a minha menina, mas mesmo assim ainda dava para ver uma rugazinha na testa dela. Ai ai, se eu pudesse fazer algo, mas nenhuma das duas pediu minha opinião, nem olhavam pra mim. Eu ia fazer o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas daí a Isadora teve que ir lá dentro atender o telefone e a Gabriela ficou ali quietinha no canto dela. Eu sei bem que não posso me intrometer na conversa das duas, já ouvi poucas e boas por causa disso, então chamei a Gabriela pra sentar do meu lado e ajudar a escolher o feijão do almoço. Ela sentou do meu lado, cabisbaixa pegou uma bacia e começou a puxar os feijões da mesa para a bacia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sabe Gabriela, você entende de muita coisa, você é uma menina muito inteligente, mas precisa aprender escolher feijões. Tem que prestar mais atenção minha filha. Deixa eu te mostrar como faz. Ó, primeiro você senta bem perto da mesa com a bacia no colo. Depois esparrama um punhado de feijão na mesa, assim ó. Bom, agora vem a parte mais interessante, você tem que puxar só os bons para a ponta da mesa e deixar eles caírem na bacia.” “Ai vó, só você mesmo! O que que tem de interessante nisso?” “É, acho que nada mesmo...... Mas quer ver, pensa assim ó: esse monte de feijão em cima da mesa é o futuro.” “Vó! Voce lê o futuro no feijão?? Essa eu nunca ouvi.” “Hahaha, não Gabriela, presta atenção! Esses feijões na mesa são o futuro e essa bacia no seu colo é o seu passado. O futuro está cheio de possibilidades: feijões bonitos, grandes, graúdos, vermelhos, feijões mirrados, feios machucados, pedras, sujeiras, pragas.... aí, de tudo isso, você escolhe só o que você vai querer ter na bacia do seu passado. Dá uma olhada na minha bacia, olha só quantos feijões bonitos eu trouxe, agora é sua vez de fazer isso. Você que escolhe o que ter amanhã na bacia do ontem.” “Mas vó, e o presente?” “Ah, o presente, minha menina, é o tempo que separa a mesa da bacia. É esse instantezinho de queda livre, de frio na barriga, de futuro virando passado. Entendeu?” “Entendi vó, entendi sim” Nessa hora a Isadora voltou pra cozinha perguntando o que era que ela tinha entendido. “A vó só estava me ensinando escolher feijões mãe. Só isso.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Isadora deu uma risada achando que eu tinha ficado louca e a Gabriela se levantou, me deu um beijo na testa e foi escolher os feijões dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-6177246804886399310?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/6177246804886399310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=6177246804886399310&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/6177246804886399310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/6177246804886399310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2009/11/gabriela.html' title='Gabriela'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-2754097662152098710</id><published>2009-08-14T03:30:00.003+01:00</published><updated>2009-08-14T03:36:35.350+01:00</updated><title type='text'>lasanha do frio</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Quando era criança ela adorava esse céu, que sempre vinha acompanhado de um friozinho gostoso, que trazia junto consigo um cobertor e um sofá. No sofá, ela e a mãe. Para ser mais preciso, a mãe no sofá, ela na mãe e o cobertor nela. Era a lasanha do frio, que de tão boa nem precisava de pipoca, mas ela sempre estava lá. A pipoca por sua vez trazia um filme no vídeo cassete. O vídeo quase sempre era de algum desenho de algum morador da terra do Senhor Disney. Eles colocavam na sala algumas risadas, as risadas faziam ela se mexer. Cada movimento vinha acompanhado de um carinho no cabelo. Cada carinho era respondido com um beijo. Cada beijo levava a um abraço. Cada abraço não levava a nada. Cada abraço era eterno, não acabaria nunca, nem mesmo com o próximo. Eles iam se acumulando e no final da sessão ela contabilizava uma média de 50 abraços sobrepostos. Não precisava de mais nada, fechava os olhos e dormia por um bom tempo, ouvindo tum-tum da mãe enquanto se aconchegava no vai e vem do diafragma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-2754097662152098710?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/2754097662152098710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=2754097662152098710&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2754097662152098710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2754097662152098710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2009/08/lasanha-do-frio.html' title='lasanha do frio'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-9161053824857202569</id><published>2009-02-17T21:05:00.003Z</published><updated>2009-05-30T22:32:21.062+01:00</updated><title type='text'>Doce de Compota</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Um sorvete que nunca acaba, eterno. Mas de repente lhe cortam a língua fora.” era assim que via a vida, mas quando seus netos a perguntavam respondia de uma forma menos traumatizante: “Um pote de doce gigante, daqueles que nunca acabam e você tem uma colher para pegar o quanto quiser na hora que quiser. O problema é que mais cedo ou mais tarde você vai deixar a colher cair no chão e aí não pode mais pegar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os netos não entendiam direito, mas tudo bem. Um dia eles cresceriam e lembrariam da definição da avó maluca. Eles ainda teriam muito pela frente e um dia entenderiam. Ela já tinha vivido o suficiente para ver diversas relações com o doce e sabia muito bem como funcionava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinha visto gente que não gostava do doce, gente que se lambuzava, gente que comia aos poucos saboreando cada colherada, gente que mal engolia e já estava com a colher no pote de novo, gente que dançava enquanto comia, gente que comia quieta no seu canto, gente que ficava imaginando do que que seria aquele doce esquisito, gente que sem pensar tentava a todo custo descobrir o que tinha no fundo do pote, gente que experimentava comer o doce pelo cabo da colher, gente que levantava o dedinho para comer, gente que tinha vergonha de comer e quando ninguém estava vendo dava uma boa colherada, gente que não sabia se gostava ou não mas mesmo assim continuava comendo, gente que tentava comer com as mãos, gente que se cansava do gosto e jogava a colher pelo alto, gente que brincava com a colher entre uma colherada e outra (às vezes ela escapava), gente que segurava a colher com as duas mãos para não deixar cair, gente que já sem forças não aguentava o peso dela que escorregava para o chão, gente que não lembrava o que fazia com a colher na mão, gente que tirava a colher dos outros, gente que comia chorando, gente que comia rindo e gente que comia sem perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela mesma já tivera varias ralações com a colher. No começo quando lhe deram a colher e colocaram o pote na sua frente não sabia o que fazer. Aos poucos viu as outras pessoas enfiando a colher lá dentro e depois colocando na boca. Fez o mesmo, devagar, com medo. A primeira colherada veio com um gosto estranho, depois tentou de novo e de novo e de novo, até se acostumar. Aprendeu a gostar, aos poucos foi pegando confiança e passou a enfiar a colher no pote sem pensar. O tempo passava e começava a comer mais e mais rápido, queria todo o doce, queria aproveitar tudo o que podia daquele pote. Começou a fazer experimentos, parou de comer a parte de cima e tentava experimentar o que tinha mais pro fundo, experimentou misturar, comeu as bordas, o meio, os lados e o fundo. Chegou até a adicionar açúcar ao doce para ver como ficava. Depois a euforia foi passando, foi se acalmando e passou a comer moderadamente. Conheceu seu marido, dividiram colheres, mas não por muito tempo, mais tarde rapazes encapuzados roubariam a colher dele, e ela passaria a comer sozinha de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vieram os filhos queria dar-lhes de comer com a própria colher, mas não podia. Eles tinham que aprender a usar a própria  ferramenta. A cada colherada olhava para cada um deles para ver se eles estavam comendo, se estavam segurando direito e se estavam gostando. A preocupação com a colher era cada vez maior, cuidava da sua e da dos filhos. Tinha medo de derrubar ou que eles derrubassem por qualquer descuido. Estava sempre atenta e dava bronca quando algum deles brincava com a colher ou a segurava de forma despretensiosa, como fazem os jovem por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os netos foi um pouco diferente, ainda se preocupava, mas queria mais é que eles aproveitassem, ensinava a encher a colher para lambuzar o rosto e sujar a ponta do nariz. Quando as crianças estavam por perto comia o doce dançando em volta dele, rindo e contando piadas, mas a quando estava sozinha, comia devagar sem muito entusiasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação com a própria colher foi diminuindo, não tinha medo que ela lhe escapasse, tinha medo de não saber usá-la direito. Entristecia ao ver algumas de suas amigas sofrendo para acertar a boca do pote, outras já sem forças para levantar a colher e algumas que já tinham até se esquecido para o que que ela servia. O doce agora tinha um gosto diferente, um tanto quanto saudosista e no geral ia perdendo o sabor e a cor gradativamente. Na verdade, ele sempre foi o mesmo eram os seus olhos e língua que já não se empolgavam mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia olhou para os lados e viu os filhos, genros, noras e netos compartilhando o pote, cada um do seu jeito, cada um com a sua mania. Um já com o botão da calça aberto depois de tanto doce, enquanto o outro comia aos poucos com medo de indigestão. O mais novo não sabia nem segurar a colher direito mas olhava atento para aprender como o irmão fazia. Um dos netos estava mais preocupado em observar como os outros comiam que quase nem comia, a irmã dele comia com graça, preocupada em não se sujar, enquanto a prima se lambuzava toda. Um dos filhos quase deixou a colher cair certa vez e agora segurava com as duas mãos enquanto a mulher se preocupava com a dos filhos que estavam na época de querer experimentar comer com a colher da vizinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu risada, lembrou de como comeu e como comia, e com uma boa e cheia colherada decidiu que estava satisfeita. Abriu a mão e limpou a boca com o guardanapo enquanto escutava o barulho do metal encontrando o chão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-9161053824857202569?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/9161053824857202569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=9161053824857202569&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/9161053824857202569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/9161053824857202569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2009/02/doce-de-compota.html' title='Doce de Compota'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-4382851884464649800</id><published>2009-02-01T12:55:00.005Z</published><updated>2010-12-19T15:35:42.986Z</updated><title type='text'>Um poeta e uma garota</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Conheceu o poeta na escola, foi a professora de português que o apresentou. Mas foi em casa, com os discos velhos que o pai guardava debaixo da vitrola, que ficaram íntimos. Era ali na sala, por debaixo da poeira e entre ruídos, que o poeta conversava com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendia tudo o que falava, bem pouco na verdade, mas gostava de ouvir mesmo assim. Na escola a professora mostrou como entendê-lo melhor. Pegou um texto e explicou palavra por palavra, depois releu o texto todo montando o sentido das frases e interpretando tudo. O texto ficou muito mais simples depois disso e o poeta mais próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta era legal, gostava quando falava de garotas. Tinha uma de Ipanema e uma outra flor morena que eram especiais. Elas eram maravilhosas, cheias de encantos e beleza, exatamente como a que sentava ao seu lado na sala de aula. Aliás, o que será que ele pensaria se a conhecesse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era linda! Ele não conseguia parar de olhar. Tinha uma beleza leve e tranqüila que poucos garotos percebiam. Era inteligente e simpática, tinha uma das melhores notas da classe e sempre o ajudava nos exercícios complicados com um brilho nos olhos. À noite, em casa, sentia saudades de vê-la passar com o sorriso leve que os lábios sempre carregavam. Sorriso que podia ter qualquer propósito, mas para ele, era para ele. Sentia saudades de escutar a voz macia com as frases que nem sempre eram direcionadas aos seus ouvidos, mas que por si só já bastavam. Saudades de vê-la chegando pra aula e de saber que por mais um dia inteiro, estaria ao seu lado. Linda, simpática, inteligente, perfeita!! Ela podia ser quem ela quisesse, ela era perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que será que o poeta pensaria dela? Uma noite, resolveu parar o poeta e começou a falar. Queria compartilhar aquela beleza com ele, mas queria também ter idéia do que fazer, de como agir perto dela. Contou tudo o que sentia e pediu conselhos. Quando voltou a falar, o poeta disse que só não tem perdão quem não rasga o coração. Ele não entendeu muito bem, mas fez igual a professora ensinou, tentou entender palavra por palavra e depois a idéia toda. No final, percebeu que o poeta estava lhe falando para contar tudo a garota, abrir o coração e expor os sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, falaria com ela no intervalo. Depois da aula de inglês e antes da aula de matemática. Tudo decidido, tinha até decorado uma declaração. Contaria como o coração batia mais forte quando a via, como era feliz quando por alguma razão seus olhares se cruzavam, como gostava de ouvi-la falar, como gostava do seu cabelo, da boca, dos olhos, do nariz, como ela era perfeita... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bateu o sinal e a correria começou com centenas de crianças descendo para o pátio. Ele não acompanhou os amigos, deu uma desculpa, esperou um pouco e desceu as escadas sozinho, respirando fundo, tomando coragem. Ele sabia exatamente onde ela passava os recreios, todos os dias ela lanchava com as amigas em um banco encostado no muro do fundo do pátio. Não sabia como ela reagiria à declaração, então tinha decidido que a tiraria de perto das amigas para não deixá-la constrangida. Inventaria que precisava tirar uma dúvida sobre a prova de ciências, com certeza ela ajudaria e com certeza as amigas não iriam querer acompanhar aquela conversa chata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhou em direção ao fundo do pátio, ela estava lá, linda como nunca. Parou a uns 20 metros para respirar, tomar coragem e seguir em frente. Mas o ar que deveria encher os pulmões de confiança trouxe entretanto as lembranças da garota da terceira série, da garota da quarta série e da garota da quinta série. Ele já tinha muitas decepções amorosas para os seus 12 anos. Para que arriscar de novo? Além do mais, na próxima aula teriam exercícios em duplas e provavelmente dividiriam o mesmo livro. Deveria arriscar justo agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a amava todos os dias e talvez ela não precisasse saber disso. Talvez ela não precisasse saber que tinha alguém ali ao lado dela a amando e que para ele, ela era perfeita. Ela não tinha defeitos e não precisava saber disso. Ela só precisava ser ela. Ela só precisava não estragar tudo. E pra que arriscar? Para que deixá-la sabendo disso, se ela poderia estragar tudo e sumir? E o medo? E o medo do fracasso? E o medo de ter se apaixonado novamente pela pessoa errada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu não contar, deu a ela uma chance de não estragar tudo, de continuar perfeita pra sempre. Sempre lembraria da garota da sua infância. Esse seria o presente que daria ao seu amor, a eterna perfeição. Nunca lhe disse nada, desobedeceu ao poeta e a conservou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, 30 anos depois e momentos antes de assinar os documentos da segunda separação, ele lembrou da garota e do poeta. Onde estaria ela agora? Como estaria ela? Como teria sido se não tivesse respirado fundo, se tivesse obedecido ao poeta? Será que ainda a amaria? Será que ainda seria perfeita? Será que estaria com uma caneta na mão agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois tapas nas costas espantaram os pensamentos “Que foi, se arrependeu?” e ao desenhar seu nome no papel respondeu em tom melancólico “Não, só imaginando como tudo poderia ter sido diferente.” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-4382851884464649800?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/4382851884464649800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=4382851884464649800&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/4382851884464649800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/4382851884464649800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2009/02/um-poeta-e-uma-garota.html' title='Um poeta e uma garota'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-2716151804957406102</id><published>2009-01-12T22:47:00.003Z</published><updated>2009-01-12T23:03:49.279Z</updated><title type='text'>Fim de ano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Supostamente deveria escrever aqui sobre a viagem. Mas estou com preguiça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resumindo, a viagem foi muito boa, consegui fazer todos os percursos que tinha previsto e ainda deu pra acrescentar Budapeste no meio do caminho com direito a cruzar toda a Eslovenia e Hungria de carro. Nada mal!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Natal em Estocolmo e fim de ano em Budapeste com o maior frio da minha vida, termômetros marcando abaixo de -10. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bom, quem quiser saber mais, fotos em:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://picasaweb.google.com.br/segato"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://picasaweb.google.com.br/segato&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abraços!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-2716151804957406102?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/2716151804957406102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=2716151804957406102&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2716151804957406102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2716151804957406102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2009/01/fim-de-ano.html' title='Fim de ano'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-2690369279465293994</id><published>2008-12-11T22:13:00.008Z</published><updated>2008-12-12T18:57:36.640Z</updated><title type='text'>Planejando o imprevisto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há uns 4 anos, planejei com duas amigas uma viagem diferente. Iríamos para a rodoviária com as malas prontas e sem saber o destino. Lá, pegaríamos o oitavo ônibus que fosse para uma pequena cidade longínqua. Chegando ao destino a gente teria que se virar com alimentação, hospedagem e etc, tudo no mais restrito orçamento (tinham outras restrições que iríamos nos impor, mas não lembro agora). Obviamente a viagem não saiu do papel, mas a idéia continuou viva em algum espaço no fundo da caixola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só fui lembrar disso agora, uns 4 anos depois, quando estava planejando a minha viagem de final de ano. Ela não vai ser como a que eu tinha planejado anteriormente mas ainda assim tem suas similaridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim do ano estava chegando e eu não sabia ainda o que iria fazer com minhas pequenas férias de natal e ano novo. Sem ter um destino certo, resolvi recorrer ao imprevisto. Ao invés de ir para a rodoviária e pegar o oitavo ônibus que me aparecesse na frente, fui aos sites de buscas de passagens aéreas. Coloquei de Londres para qualquer lugar da Europa e decidi que compraria a passagem mais barata. Surgiram 3 opções: Estocolmo, Frankfurt e Oslo (todas a zero Pound, custo apenas das taxas de embarque e etc). Fiquei na duvida entre Oslo e Estocolmo, risquei Frankfurt pois já fui para a Alemanha e queria algo diferente. As taxas para Estocolmo eram um pound menores que para Oslo. Pronto, decidido. Comprei passagem para Estocolmo. O único problema era que a passagem de volta era absurdamente cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi continuar com minha técnica de procurar passagens baratas. Próximo passo, passagens baratas de Estocolmo para qualquer lugar da Europa. Me apareceu uma de Estocolmo para Veneza, o que seria perfeito, já que poderia encontrar um amigo que estaria por lá. O problema é que o vôo faria uma escala em Frankfurt e eu teria que ficar quase um dia inteiro preso no aeroporto lá. Resolvi então incluir Frankfurt na viagem, segunda vez que me aparecia pelo caminho, deveria ter algum motivo. Comprei uma passagem de Estocolmo para Frankfurt e outra, para o dia seguinte, de Frankfurt para Veneza. As duas também por zero Pound (pagando só as taxas). Aí surgiu outro problema, não sei se por causa das enchentes em Veneza ou não, a empresa aérea ainda não confirmou o vôo, portanto não sei ainda se vou ou não. Em todo caso, o bilhete já esta comprado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até então minha viagem estava assim: Londres – Estocolmo, Estocolmo – Frankfurt, Frankfurt – Veneza (a confirmar). Estava na hora de começar a me preocupar com a volta para Londres. Comecei a procurar passagens de volta para depois do ano novo, mas foi aí que eu descobri que não existia nenhuma passagem barata para Londres saindo de qualquer aeroporto europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei então a procurar passagens de qualquer aeroporto da Europa para qualquer aeroporto da Inglaterra. A mais barata que eu achei foi uma passagem de Praga para Nottingham. Pronto, reservado. Volto de Praga para Nottingham. Agora só falta saber como vou de Veneza para Praga e de Nottingham para Londres e se realmente vou conseguir sair de Frankfurt para Veneza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trajeto por enquanto esta assim:&lt;br /&gt;Londres ---------------------------------------------- &gt; Estocolmo&lt;br /&gt;Estocolmo -------------------------------------------- &gt; Frankfurt&lt;br /&gt;Frankfurt ---- ---- ---- ---- ---- ---- -- --- --- --- -- &gt; Veneza&lt;br /&gt;Veneza &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;-----------------------------------------------&lt;/span&gt; &gt; Praga&lt;br /&gt;Praga ------------------------------------------------- &gt; Nottingham&lt;br /&gt;Nottingham &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;----------------------------------------&lt;/span&gt; &gt; Londres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais detalhes em breve.......&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-2690369279465293994?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/2690369279465293994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=2690369279465293994&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2690369279465293994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2690369279465293994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/12/planejando-o-imprevisto.html' title='Planejando o imprevisto'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-565964108485604817</id><published>2008-09-21T09:34:00.009+01:00</published><updated>2010-12-19T15:44:40.774Z</updated><title type='text'>Samba de três versos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O sol entrava pela janela e beijava delicadamente os pés dela. Como um amante carinhoso, subia lentamente pelas pernas, aquecendo e fazendo cócegas. Ela se virava manhosamente de um lado para o outro se espreguiçando com um sorriso leve nos lábios, como quem diz: “hoje não.” e como quem pensa “hoje.....” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ele continuou a fazer o que todo e qualquer ser faria naquela situação. Leu os lábios, os pensamentos, o corpo e continuou a subir. Ela, aproveitou aquele mimo até o último minuto, até a ponta do último fio de cabelo despenteado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Com o sol já em todo o quarto se levantou cantarolando &lt;em&gt;“É melhor ser alegre que ser triste.....”,&lt;/em&gt; não sabia o porquê desta música na cabeça &lt;em&gt;“...A alegria é a melhor coisa que existe......”&lt;/em&gt; se enrolou no roupão e antes de descer para o banheiro parou na janela para agradecer o sol &lt;em&gt;“...É assim como a luz no coração....”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tinha dia que acordava feliz, não sabia porque. Simplesmente acordava. Eram os melhores dias, os dias em que não tinha motivo para ser feliz. Ela achava meio banal estar feliz por qualquer motivo óbvio, mas adorava estar feliz sem motivos. O sentimento ia tomando conta do corpo aos poucos, ia moldando os movimentos e desenhando os passos. Era como se fosse uma marionete nas mãos da felicidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sim, definitivamente era um show de marionetes. E apesar de só saber os três primeiros versos da música, a trilha sonora daquele dia já havia sido escolhida e aprovada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O roteiro do show era igual a todos os outros: mesmo café da manha enquanto descia pelo elevador os 16 andares do prédio, o mesmo bom dia para o porteiro, o mesmo trajeto casa-trabalho e etc., mas a interpretação era única. O sorriso no canto da boca, o brilho nos olhos, os movimentos leves das mãos e a inocência da saia que se levantava, proporcionada pelo vento que havia ficado enciumado com a cena inicial, eram únicos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ela sabia que quando o dia começava assim, não havia quem estragasse. Não havia fato ou ato que a aborrecesse. Afinal, alegria é a melhor coisa que existe e, como ela gostava de dizer, felicidade traz felicidade. Esse era um jargão que gostava de usar, achava brega, mas às vezes até colocava no nick do msn.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas enquanto o dia andava, as horas consumiam a felicidade inicial. Cada minuto que passava a afastava um pouco da euforia da manhã e como num relógio de baterias fracas o período entre um verso e outro aumentava gradativamente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mesmo assim, ainda estava feliz. Ainda possuía um resto de leveza nos movimentos. O brilho dos olhos já não refletia com tanta intensidade a luz do sol que já estava se pondo, mas ainda aparecia em rápidos e esparsos flashes. Era como se o show estivesse no final. Como se a felicidade cansada de brincar de marionetes ou enjoada da trilha sonora de três versos fosse perdendo o interesse nela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Chegou em casa cansada. Logo pela manhã havia combinado sair para jantar com o namorado, à tarde já havia mudado para uma coisa mais simples e menos complicada em casa e se ele já não estivesse lá, esperando, ela teria cancelado e feito um miojo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não estava mais tão vivaz como de manhã, tão alegre e radiante. Não estava mais se achando bonita e atrativa. Pediu desculpas ao namorado e chegou até a assumir uma certa tristeza no fundo do peito. Algo que ela não sabia explicar. Estava feliz, ainda estava feliz, tinha certeza disso, poderia até cantarolar os versos da manhã, mas estava cansada e com aquela tristeza leve brigando por um espaço no peito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ele escutou calmamente toda a descrição de sentimentos: a felicidade, a tristeza e as desculpas. Aceitava cada frase como um verso, como uma poesia, como uma música. Mas não aceitou as desculpas. Não conseguiu concordar com a falta de beleza e agradeceu por ela ser assim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Enquanto ela se explicava, ele, com muita dificuldade, prendia entre os lábios um sorriso largo e observava como num verdadeiro espetáculo os braços que, ainda leves, não sabiam para que lado ir; as mãos que não sabiam onde repousar; os olhos que buscavam na incerteza da felicidade uma explicação para o inexplicável; a boca que procurava palavras para lançá-las ao ar; o medo bobo da falta de beleza e, acima de tudo, a insegurança infantil que pedia desesperadamente um abraço.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Quando ela acabou o show particular que havia reservado para ele naquela noite, antes do abraço, ele procurou uma coletânea do Vinicius que ela havia comprado numa promoção de jornal. Abriu a caixa, pegou as letras das músicas e leu pra ela apenas os três versos seguintes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Finalmente ele a abraçou. Ela enxugava as lágrimas que lhe escapavam sem motivos enquanto ele dizia, entre outras coisas, que ela era o seu samba e que um bocado de tristeza até que lhe caía bem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foi assim que a lua, num sorriso crescente, viu o dia acabar, como num samba, como uma benção.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-565964108485604817?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/565964108485604817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=565964108485604817&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/565964108485604817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/565964108485604817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/09/samba-de-trs-versos.html' title='Samba de três versos'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-5620650431597134301</id><published>2008-08-17T21:30:00.007+01:00</published><updated>2008-08-31T00:37:47.624+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='captivity'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cage'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fly'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='canary'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wings'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='freedom'/><title type='text'>She's gone</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;That Saturday was raining.&lt;br /&gt;He knew that someday she would not appear anymore, and that day had arrived. “But why on Saturday?” he started to cry to himself. “Why on Saturday!?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Until that moment Saturday was the most wonderful day of the week, because of her. I don’t know if it was conscious or not but she chose Saturday to be their day. It is not true that they did not see each other during the rest of the week, but Saturdays were special.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It was almost a ritual, he used to wake up early and wait for her, she always arrived with a newspaper and a smile for him. They used to stay there in the garden for hours, having breakfast, talking, and enjoying the weather that was always amazing. When it was a hot day they enjoyed the sunshine, on cold days that was the excuse to be closer and on raining ones they used to watch the water ballet together, always in the same way, but still charming.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;After sometime he used to sing for her all the music that he had composed during the week thinking in her. She was his inspiration and the motivation to sing. She was the person who first noticed his talent, who clapped after all songs even if it was not so good and who entered him into his first contest without his awareness. “How is possible to sing now without her?” was another question that was annoying him that day.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He knew that she was really sick and it would happen one day, but he was not prepared yet. She never told him the real situation of her health, but he knew. It was a kind of secret deal to not think about bad things when they were together. However, he felt that something was wrong.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;That Saturday another person came instead of her. It was her husband. He always knew about that relationship and respected it. It was as he used to land his wife on Saturdays and he received back a happier person to spend the rest of the week beside.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He came, opened the door and started to talk a lot of odd things finishing with: “I know that she loved you and your songs, I hope you do not stop singing for her, but I need you leave this place.” and went out leaving the door opened. Yes, he used to live in one of her properties.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;That moment was time to move. It was time to look ahead. He went to the door, looked outside and for the first time the world seemed to be huge and frightening. He didn’t know where to go, but it was time to find. It was time to find a new passion to keep living. The cage was open, it was time to fly.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-5620650431597134301?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/5620650431597134301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=5620650431597134301&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/5620650431597134301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/5620650431597134301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/08/shes-gone.html' title='She&apos;s gone'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-1668988426310199671</id><published>2008-07-28T22:33:00.006+01:00</published><updated>2008-08-17T21:37:22.894+01:00</updated><title type='text'>Missões I</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Vim para Londres com algumas missões a cumprir. Missões que acho que fazem parte da bagagem da maioria dos viajantes perdidos: conhecer, aprender, entender, lembrar, esquecer, fugir, encontrar, perder..... Algumas são fáceis outras mais demoradas, outras complicadas, outras só fui entender há pouco tempo atrás. Não acho que vou cumprir todas elas, mas vou me esforçar. E para motivar, vou tentar escrever algumas delas aqui na medida em que tiver algum progresso.&lt;br /&gt;A de hoje é uma das que só fui entender recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela apareceu como uma mistura de pedido, conselho e lembranças alguns dias antes de embarcar: “Rafa, você vai adorar a Europa. É tudo diferente. Cores, cheiros... tudo!”. Prometi prestar atenção nesses detalhes. Prometi contar quando encontrasse as cores e cheiros novos. Mas confesso que não fazia ideia do que isso queria dizer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fiquei imaginando cores novas, cores que não estavam no pantone tupiniquim, que o Photoshop licenciado para o Brasil não mostrava na palheta de cores ou que a suvinil nunca havia conseguido reproduzir nas terras brasileiras, nem mesmo com aquelas máquinas doidas de fazer cores. Não vi nada disso aqui. E o único cheiro diferente que me chamou a atenção foi o do povo que não toma banho, que não vou citar as nacionalidades para não me tacharem de preconceituoso. Não era possível que esses seriam os cheiros da Europa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi só há alguns dias que eu entendi. Numa noite dessas aqui em Londres, alguém, por algum motivo que não vem ao caso, me fez olhar para o céu. Dez da noite e o céu estava azul. Um azul bonito. Um azul que não era de céu de noite. Um azul bonito. Um azul que com certeza está no pantone. Que a suvinil já produziu no Brasil. Mas esse, era o azul do céu de Londres na noite de verão. Era uma das cores da Europa. Foi aí que eu lembrei de várias outras.... cores, cheiros e sabores da Europa. A cor dos prédios da Via Garibaldi no centro de Genova por exemplo. A cor do gramado do Green Park. A cor da neve. O cheiro dos wafles na Oxford street, que, no clássico estilo Pica-pau, vem dançando até o seu nariz e com a ponta do dedo te chama para segui-lo. O cheiro do sol de Londres. A falta de cheiro, de ar e de calor do sótão do hospital do campo de concentração de Berlin. A cor das flores da Piazza Corvetto. O sabor do sorvete na praia italiana. A cor do ar de Londres nas manhãs de inverno. E muitos outros.......&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não descobri tudo, demorei para entender, mas valeu a pena.&lt;br /&gt;Obrigado!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-1668988426310199671?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/1668988426310199671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=1668988426310199671&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/1668988426310199671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/1668988426310199671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/07/misses-i.html' title='Missões I'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-2224591691465159377</id><published>2008-07-19T18:03:00.003+01:00</published><updated>2008-07-19T19:37:04.590+01:00</updated><title type='text'>Uma cena italiana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Itália Itália...... Fiquei lá apenas um final de semana e foi o suficiente para querer voltar muitas outras vezes. Além da vista, da língua e da comida, a Itália tem as pessoas! Os Italianos e as Italianas! Tutti boníssima gente!&lt;br /&gt;Sem muitos detalhes da viagem, vou apenas descrever uma cena. Uma das cenas que presenciei e que considero tipicamente italiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado ensolarado resolvi dar uma andada pela avenida que beira as praias de Genova, ia parando de praia em praia, tirando fotos e cumprimentando as pessoas com “Bom giorno!” – sim, típico turista, eu sei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltando de uma das praias para a avenida avistei, ao longe uma mercedes com a porta aberta, no meio da rua e na contra mão. Ao lado do carro uma vaga apertada e um sujeito em pé calculando como faria para colocar o dito cujo ali. O rapaz largou o carro lá no meio da rua, foi a pé até a vaga para pensar em como fazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho que admitir que encontrar uma vaga naquela avenida era uma tarefa difícil até mesmo para motos. Aquela vaga foi um achado, o único problema é que era realmente apertada para a mercedes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vaga era alguns centímetros menor que o carro e em cada uma das pontas tinha uma lambreta. Era fisicamente impossível colocar o carro lá. Mas o cara não se fez de rogado, arrastou as duas lambretas um pouco pros lados. Sem nenhuma cerimônia, levou a azul um pouco para a esquerda, depois a amarela mais alguns centímetros pra a direita e.... Pronto, a vaga ainda era apertada para a mercedes, mas um bom motorista a colocaria ali. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando cheguei perto da cena ele estava batendo as mãos para tirar a poeira e olhando para vaga claramente calculando o espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bom giorno” – disse eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bom giorno” – disse ele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí o diálogo não foi em italiano, nem em inglês, nem em português. Não consigo definir a linguagem utilizada, mas foi uma mistura disso tudo com espanhol, mímicas e expressões faciais. Resumindo bem, foi mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“tudo em ordem?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“sim sim, será que cabe?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“talvez, tenta aí que eu ajudo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara entrou no carro e eu fiquei lá de flanelinha. Gastando todo o meu italiano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Gira a sinistra!” “gira a destra” e coisas como “só mais um piccolo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu até que tava me virando bem na minha função mas o cara era muito ruim no volante. Depois de alguns minutos perdidos e algumas tentativas frustradas resolvemos desistir da vaga. O tio foi embora e não me deu nenhum trocado. Mesmo assim me senti no direito de me presentear com um sorvete. Limão com morango. Era o melhor de toda a Itália. Sem dúvida entrou para a lista de sorvetes inesquecíveis!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-2224591691465159377?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/2224591691465159377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=2224591691465159377&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2224591691465159377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2224591691465159377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/07/uma-cena-italiana.html' title='Uma cena italiana'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-7623351226716971185</id><published>2008-06-14T20:36:00.005+01:00</published><updated>2008-06-14T21:49:08.159+01:00</updated><title type='text'>O altruísta da barca do inferno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era egoísta. Admitia e não tinha vergonha. Só pensava nele. Se não fizesse isso, quem faria? Levava esse pensamento a sério e chegou até a desenvolver uma regra de convivência consigo próprio, para que ele mesmo não perturbasse a sua paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de egoísta um dos seus hobbies era cultivar amigos. Não que se importasse muito com eles, mas gostava de saber que outras pessoas o levavam em consideração. Sempre ajudava todo mundo, pelo simples fato de que assim lhe deviam favores. Esse sentimento de credor lhe fazia bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas com o passar do tempo começou a perceber que essa atitude não estava levando a lugar algum. Os favores que prestava nem sempre voltavam. A maioria das pessoas não reconhecia os atos, alguns poucos eram gratos e mais raro ainda eram os que lhe pagavam favores em troca. Mais do que isso, percebeu que um ou outro ajudava sem esperar nada em troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a admirar essas pessoas, e aos poucos passou a focar os esforços para elas. Tratou de ajudar só as que mereciam e já não cobrava nada em troca, sabia que o retorno viria naturalmente. Não precisava mais se preocupar com os outros, com os ingratos. Não os excluía por maldade, mas dizia que era uma forma de educar, de dar exemplo. Vinham lhe pedir ajuda e ele sem qualquer remorso dizia na cara da pessoa que não ajudaria pois ela não merecia.&lt;br /&gt;Estava cada vez mais feliz, não precisava pensar nos outros. Só nos que mereciam, esses ele ajudava sem problema, com a maior das boas intenções. Assim, o número de favores diminuiu e a vida ficou mais fácil. Os dias ganharam mais horas e as noites mais sossego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por restringir a quantidade de favores prestados, a sua fama começou a mudar. Justo agora que não pensava mais em recompensas, as pessoas estavam lhe tachando de ranzinza, mesquinho e inesperadamente de egoísta!&lt;br /&gt;“Egoísta!?” Justo agora que ajudava por ajudar, que não esperava nada em troca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando percebeu que as pessoas não lhe entendiam resolveu mudar novamente as atitudes e assumir de vez o lado egoísta! Já que estavam lhe tachando de egoísta, agora eles iam ver o que é ser egoísta de verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou a ajudar todo mundo, sem exceção. Todo mundo! Mas agora não seria bobo não, ele se organizou. Criou uma escala de 0 a 10 onde classificava todos os favores de acordo com alguns critérios: facilidade, oportunismo, necessidade e etc. Depois, montou uma tabela no Excel onde mantinha um banco de dados de todas as pessoas que tinha ajudado e o grau de favor que elas estavam lhe devendo.&lt;br /&gt;Todo final de dia alimentava o banco de dados com os novos devedores e no final do mês aplicava uma taxa de 0,5% e todos os débitos eram reajustados.&lt;br /&gt;Mas era justo. Sempre que recebia um favor, reconhecia e abatia do débito que a pessoa tinha com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim criou uma conta corrente de favores, e mais cedo ou mais tarde todos lhe pagariam com juros e correção “favoretária”.&lt;br /&gt;Quando algum dos devedores morria, não deixava por menos. Ia até o velório, se aproximava da família e expressava os seus sentimentos de perda. Como sempre, se dispunha para ajudar no que fosse preciso e na maioria das vezes até carregava o caixão. Mas ao voltar para casa, acrescentava alguns pontos à conta do defunto (nesse caso o peso do sujeito também era levado em consideração) e depois dividia o débito em iguais partes aos herdeiros do falecido que, muitas vezes, tinha acabado de conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou a sua melhor forma, egoísta ao extremo, e de quebra ganhou o título de altruísta da cidade.&lt;br /&gt;Naquela noite, vestindo o tradicional terno de risca, camisa cinza e gravata vermelha, voltou para casa com a placa que havia recebido das mãos do presidente da associação municipal dos bons costumes em uma cerimônia no salão nobre da prefeitura. Pendurou a placa em um lugar de destaque na parede oposta à porta de entrada e se presenteou com uma dose de uísque que guardava para ocasiões especiais. Ascendeu um charuto para acompanhar a bebida e sentou-se na poltrona macia e confortável posicionada em frente ao maior espelho da sala, enquanto Duke Ellington brincava com as idas e vindas dos seus dedos. Essa combinação de sensações era perfeita para celebrar o brilho daquela noite, mas entre o sexto gole e a quarta baforada teve um súbito momento de sobriedade, abriu a planilha e abateu um ponto de cada um dos devedores. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-7623351226716971185?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/7623351226716971185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=7623351226716971185&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/7623351226716971185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/7623351226716971185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/06/o-altrusta-da-barca-do-inferno.html' title='O altruísta da barca do inferno'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-639534117444658622</id><published>2008-04-17T19:59:00.008+01:00</published><updated>2010-12-19T16:01:48.280Z</updated><title type='text'>Um toco e um pagode em Londres!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Londres, como qualquer cidade, tem suas histórias e estórias. Essa é uma daquelas estórias que não entraram para a história e ninguém conhece (pelo menos eu não conhecia), mas vale a pena – no caso vale a carga da bic que eu to usando para escrever isso enquanto o trem não chega!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1976, Toquinho estava por aqui em Londres. Veio para a Europa em uma turnê com Chico Buarque pela Itália, mas no meio do caminho se engraçou com uma inglesa e acabou dando umas voltas em Londres. Depois de alguns dias se esquentando em cobertores ingleses, levou um pé na bunda. Na noite do fatídico acontecimento andava sem rumo e desconsolado pelas ruas frias de Londres, quando (não sei como) reconheceu um brasileiro encostado no balcão de um pub. Era Zeca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeca estava em Londres por engano, na verdade ele deveria estar em São Paulo para um pagode beneficente que só aceitou participar quando garantiram que teriam algumas várias Brahmas. Mas chegou tão bêbado no aeroporto que até hoje ele não sabe explicar como pegou o avião errado e foi parar em Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toquinho entrou no pub, sentou ao lado de Zeca, pegou uma Guiness (para desespero de Zeca, aqui não tinha Brahma) e desabafou com o “amigo”. Contou-lhe toda a história e sofrimento. Zeca, como todo bêbado, resolveu consolar o “Pequeno Toco” (apelido que ele tinha acabado de inventar e achava o máximo), dizia algo do tipo: “Não se preocupe, essas coisas acontecem. O jeito é ir levando a vida. Na verdade você tem mais que agradecer por estar bem, por estar aqui bebendo comigo!” Nesse momento, ele percebeu que já não tava ajudando muito, então resolveu contar ao “Pequeno Toco” a história do vôo errado, e como as coisas poderiam ser piores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toquinho deu muita risada e já com um semblante mais descontraído comentou: “Muito boa essa história, não sei se é pra rir ou pra chorar”, depois de uma pausa e um longo gole de cerveja, completou: “É Zeca, a vida é como esse avião aí que você pegou. Ninguém sabe o destino, ninguém sabe onde vai parar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeca concordou, pediram outra cerveja e decidiram compor uma música, sobre aquele encontro. Pegaram um guardanapo, uma caneta com o “garçom” e até chegaram a escrever algumas coisas. Mas o estilo era tão diferente um do outro que não conseguiram entrar em um acordo. Zeca, como todo bêbado, não admitia que mexessem em suas letras e Toquinho não aceitava “empobrecer” seus versos para se adequar ao “pagodinho” de Zeca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desencanaram da musica e continuaram bebendo e conversando.&lt;br /&gt;Alguns anos depois Toquinho incluiu aqueles versos numa musica que compôs com outro parceiro. E Zeca, colocou o seu pagodinho em um refrão que também faria sucesso. Nenhum dos dois fez referencias ou menções ao outro na co-autoria da música e nem sequer cederam uma participação especial, porque no final daquela noite tiveram uma grande discussão a respeito da conta e até hoje não voltaram a se falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só soube dessa história graças a João, um brasileiro, filho de portugueses, que está há 35 anos trabalhando como “garçom” em Londres. Foi ele quem emprestou a caneta e apartou a briga naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de me contar toda essa história, João tirou da carteira o guardanapo que guarda até hoje como um tesouro e mostra para todo brasileiro incrédulo como eu.&lt;br /&gt;No guardanapo estava escrito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O futuro é uma astronave que tentamos pilotar. Não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar.&lt;br /&gt;Sem pedir licença muda a nossa vida e depois convida a rir ou chorar.&lt;br /&gt;Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá. O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.&lt;br /&gt;Mas se a coisa não sai do jeito que eu quero também não me desespero, o negócio é deixar rolar.&lt;br /&gt;E aos trancos e barrancos lá vou eu!&lt;br /&gt;Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu.”&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- não me responsabilizo pela veracidade da estória, foi João que me contou. Acredite se quiser! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-639534117444658622?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/639534117444658622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=639534117444658622&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/639534117444658622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/639534117444658622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/04/um-toco-e-um-pagode-em-londres.html' title='Um toco e um pagode em Londres!'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-6744733182617674192</id><published>2008-03-29T21:00:00.006Z</published><updated>2008-03-29T23:14:37.834Z</updated><title type='text'>Brasil e Suécia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quarta feira teve jogo do Brasil e Suécia aqui em Londres. Quando fiquei sabendo do jogo há um mês atrás fiquei com muita vontade de ir. Mas depois vi que era caro, foi passando o tempo, ninguém tava falando muito do jogo, nos jornais aqui ninguém nem citava a partida, a vontade foi passando e desisti de ir. Decidi que iria assistir o jogo em algum pub que provavelmente estaria cheio de Brasileiros e seria legal do mesmo jeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia do Jogo recebi uma mensagem no cel de uma amiga falando que ia assistir o jogo num Pub X. Resolvi ir nesse pub também. Desconfiava que não ia passar o jogo lá, pq na mesma hora teria jogo da Inglaterra e França, então provavelmente só passaria o jogo do Brasil em algum bar brasileiro. Mas resolvi tentar esse pub mesmo, já que ela estaria lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí de casa as 17:45 para pegar o metrô e ir até o Pub, ia chegar cedo para arranjar uma mesa boa, já que o jogo só começaria 19:45. Antes de chegar na estação passei no caixa rápido, saquei o dinheiro do aluguel, porque não sabia se ia lembrar de sacar na volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei na estação vi um grupo de brasileiros, camisetas, gorros, bandeiras, perucas, cornetas e toda parafernália que se leva para um estádio. Foi nessa hora que me deu uma vontade absurda de seguir aqueles brasileiros e ir para o estádio também. Mas tava muito em cima da hora, provavelmente não teria mais ingressos, e se tivesse seria muito caro e eu estava sem condições. Entrei no metrô e os brasileiros também, eles falando do jogo e a vontade aumentando, eles alegres, contentes e felizes, e eu com cada vez querendo mais ir ao jogo. Enquanto eles faziam a minha vontade aumentar eu repetia para mim mesmo “não vou, não vou, não vou”. Tava sem dinheiro e eu tava indo pro Pub encontrar minha amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ia descer na mesma estação que eles para fazer baldeação, eu ia pegar a Northen Line para ir pro Pub e eles a Victoria Line para ir pro estádio. Estava decidido, ia pro pub. A estação chegou e de todos os vagões desceram milhares de brasileiros, camisetas, gorros, bandeiras, perucas, cornetas e toda parafernália que se leva para um estádio e eu: “não vou, não vou, não vou”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que eu vi um grupo de suecas também indo pro estádio, todas loiras, branquinhas, olhos azuis, lindas, com a bandeira da Suécia pintada nas bochechas. Então me desconcentrei, parei de repetir o meu mantra “não vou não vou não vou” e quando eu vi já tava na Victoria Line indo para o estádio também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que tava indo para lá, decidi tentar comprar um ingresso de ultima hora. Desci na estação de metrô junto com os brasileiros e tive que andar um bocado até chegar no estádio debaixo de uma garoa fina e um frio chato. No caminho, um monte de Brasileiros fazendo barulho e eu preocupado com meu ingresso. Apareceram alguns cambistas indianos muito suspeitos, oferecendo ingressos, mas não tava afim de arriscar não. Já que tava indo pro estádio ia tentar comprar na bilheteria primeiro, não queria dar meu dinheiro para um Indiano e depois ser barrado na entrada com ingresso falso. Desvencilhei-me dos cambistas e continuei andando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei na primeira bilheteria e estava fechada. Me informaram que talvez a bilheteria do outro lado do estádio estivesse aberta ainda, se eu corresse poderia conseguir comprar. Corri. Depois de muito frio, chuva e cansaço cheguei na outra bilheteria. Fiquei na fila, esperei minha vez, respirei fundo e perguntei quanto era o ingresso mais barato. Niquiqui o cara falou o preço várias coisas aconteceram em segundos mais ou menos nessa ordem: &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;primeiro começaram a passar na minha cabeça imagens de tudo o que eu poderia fazer ou comprar com aquela dinheirama toda. Não vou citar as coisas aqui para não me arrepender depois e nem ser julgado. Me reservo o direito de ocultar esses detalhes. &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois numa rápida olhadela para os lados vi vários brasileiros felizes indo ao estádio e eu como um bom brasileiro que sou, que não desiste nunca, não poderia ficar de fora dessa festa.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então comecei a lembrar do outro único jogo do Brasil que tinha assistido no estádio. Fui eu, meu pai e meu irmão tentar comprar ingressos no Morumbi faltando uma hora para começar o jogo. Me veio a cena de nós três na saída do estacionamento muito tristes porque não tínhamos conseguido ingressos e em seguida a nossa felicidade depois de meu pai encontrar no meio da multidão alguns amigos que tinham justamente 3 ingressos sobrando. &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembrei do dinheiro do aluguel no bolso, e achei que 90 minutos era mais do que suficiente para arranjar uma boa desculpa para atrasar um pouco o pagamento.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfiei a mão no bolso contei o dinheiro com as pontas dos dedos. Abri o casaco. Estufei o peito e falei: “pode enfiar a faca”! &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p align="justify"&gt;Comprei o ingresso e me encaminhei para o meu setor que obviamente era do outro lado do estádio. Mas dessa vez pude dar a volta por dentro e ir observando como as coisas podem ser civilizadas dentro de um estádio de futebol. Corredores acarpetados, poltronas almofadadas nos bares, telas de plasma espalhadas pelos salões, coisa de primeiro mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha cadeira era no segundo andar, mais ou menos na direção da meia lua de uma das áreas, ótimo lugar, ótima vista. E como era na ultima fileira do setor, poderia ficar de pé sem ninguém me enchendo o saco atrás. Cheguei e estava vazio ainda, resolvi comprar uma cerveja, já que tava na Inglaterra, teria que assistir o jogo tomando minha pint! Mas só depois descobri que não poderia ir para o meu assento com a cerveja, teria que tomar no bar. Fiz amizade com o cara que tava servindo as bebidas e peguei informações de como eu poderia trabalhar lá nos próximos jogos. Afinal vou ter que repor essa grana de algum jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estádio lotou, 60.021 pessoas! Tudo brasileiro. Vocês devem estar se perguntando a respeito das suecas da estação de metrô, pois é, eu também me perguntei. Não vi uma sueca no estádio, acho que era uma ação marketing para os brasileiros trouxas irem ao jogo. Só tinha brasileiro do meu lado. E brasileiro adora uma festa, tinha gente que nem assistiu o jogo, ficou só preocupado com a “ola” e com as maquinas fotográficas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde eu tava era perto de uma área vip, e no intervalo teve um coquetel e um show de uma bateria de escola de samba, com direito a mulata requebrando e tudo mais. Não tive acesso aos drinks mas pude ver o show e a mulata. No final do jogo teve um show de uma banda sueca, com umas suecas muito sem graça cantando e dançando com os dedinhos pra cima, estilo Angélica quando ela ainda namorava o César Filho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou comentar o jogo porque vocês devem ter assistido e se não assistiram podem ler o comentário em qualquer site esportivo. Mas o jogo tava chato como a maioria dos amistosos da seleção. No segundo tempo entraram Pato e Anderson que “salvaram” a noite. O Pato fez o gol e o Anderson foi vaiado desde que o alto-falante anunciou a substituição, motivo: ele joga no Manchester e o jogo da seleção foi no estádio do Arsenal. Era só ele pegar na bola que a torcida vaiava. O coitado não teve tranqüilidade para jogar. Mas era engraçadíssimo, a bola chegava nele trazendo junto as vaias, e ele tentava se livrar da bola e das vaias o mais rápido possível. Numa dessas tentativas de se livrar da bola ele deu uma bicuda pra frente que o Pato teve que se matar para conseguir chegar na bola, dividir com o goleiro e fazer um golaço. Resumindo, a jogada do gol brasileiro começou com as vaias da torcida! Eu participei do gol do Brasil!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-6744733182617674192?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/6744733182617674192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=6744733182617674192&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/6744733182617674192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/6744733182617674192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/03/brasil-e-sucia.html' title='Brasil e Suécia'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-8406254410865828775</id><published>2008-03-28T19:28:00.003Z</published><updated>2008-03-28T19:43:22.945Z</updated><title type='text'>Canta dança e sapateia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não é novidade para ninguém que Londres é abarrotada de musicais. Não sei porque tanto musical junto e ao mesmo tempo, ainda não entendi direito o porque de todo esse fascínio dos Londrinos e dos turistas por esses espetáculos. Mas todo e qualquer musical que você possa imaginar está em cartaz em Londres. De O senhor dos Anéis a Monty Python, de Rei Leão a Chicago, tem tudo aqui. É só escolher e estar apto a pagar, pois como a maioria das coisas aqui o preço é bem salgado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dos próximos musicais a entrar em cartaz aqui é Oliver!, um musical de 1960 que vai voltar aos palcos ainda esse ano. Para selecionar a atriz e o ator principal, nesse momento está passando na BBC um programa estilo “Ídolos”. A diferença é que nesse caso o participante tem que saber cantar, dançar e atuar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bom, o fato é que estão escolhendo uma atriz para ser a Nancy e um garoto para ser Oliver. E o programa, até hoje pelo menos, está apenas nas eliminatórias, escolhendo os finalistas para as etapas com a participação do público. Entre uma eliminatória e outra elas passam por aulas de canto e interpretação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ok, é um programa normal e não teria nada de mais se eu não tivesse acabado de descobrir que as aulas de canto, dança e sapateado acontecem nessa casa da foto aí em baixo. Que por coincidência é onde eu tenho aulas todas as tardes! Pois é, acabei de descobrir quem eram as infelizes que ficavam cantando, dançando, pulando e sapateando no andar de cima enquanto eu tentava entender o que que o professor de estatística estava tentando me explicar com aquele maldito sotaque escocês!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3BmQmMJmxng/R-1IzYxqq5I/AAAAAAAAAS8/buhAvsxBx0U/s1600-h/Predio+das+aulas.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182878793834605458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3BmQmMJmxng/R-1IzYxqq5I/AAAAAAAAAS8/buhAvsxBx0U/s200/Predio+das+aulas.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-8406254410865828775?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/8406254410865828775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=8406254410865828775&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/8406254410865828775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/8406254410865828775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/03/canta-dana-e-sapateia.html' title='Canta dança e sapateia'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3BmQmMJmxng/R-1IzYxqq5I/AAAAAAAAAS8/buhAvsxBx0U/s72-c/Predio+das+aulas.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-730210756812971393</id><published>2008-03-24T21:17:00.002Z</published><updated>2008-03-25T19:21:47.317Z</updated><title type='text'>Páscoa sem coelho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como pretendo ficar um ano por aqui vou, provavelmente, passar por todas as datas festivas aqui na Inglaterra, ou em qualquer outra cidade da Europa. Já passei por algumas datas mas que não tiveram muita atenção por parte dos Londrinos. Primeiro foi o dia dos namorados, como eu tinha acabado de chegar, solteiro, sozinho e nesse país frio, acho que fui eu mesmo que resolvi não prestar atenção nessa data. Ela passou e fiz questão de não perceber.&lt;br /&gt;A segunda data foi o dia das mães que aqui foi em Março. Foi tão sem graça que nem considerei dia das mães. Na verdade foi tão mal aproveitado comercialmente que só fui perceber que foi dia das mães no dia seguinte.&lt;br /&gt;Semana passada teve St. Patrick Day, mas para esse vou escrever um texto especial contando como foi. E ontem foi Páscoa! Ontem sim, considerei a minha primeira data festiva em Londres.&lt;br /&gt;Mas a páscoa aqui é um pouco diferente, talvez porque eu tava sozinho, mas a data aqui tem suas peculiaridades. A Páscoa é muito mais divulgada que o dia das mães por exemplo, mas não chega nem perto do “barulho” feito no Brasil. Aqui eles não tem muitos ovos de páscoa, não tem aqueles corredores de supermercado abarrotados de chocolate, não tem aqueles túneis de ovos, o povo se debatendo para pegar o ovo em promoção nas Lojas Americanas, promotoras explicando os diferenciais de cada ovo, e todas as coisas que a Páscoa envolve no Brasil. Aqui, só vi uns 4 ou 5 tipos de ovos, todos eles em caixas, não são vendidos embalados em papel celofane, são vendidos em caixas e latas, e ficam numa prateleira num canto escondido do supermercado.&lt;br /&gt;Mas por outro lado, vi várias lojas de diversos segmentos fazendo promoções de Páscoa. Televisão, computador, roupas, móveis, aparelhos domésticos, tudo em promoção por causa da páscoa. Vai entender.&lt;br /&gt;Bom, acordei no domingo de Páscoa, com a esperança que o coelhinho tivesse trazido alguma coisa para mim, mas não. Acho que ele se esqueceu. Mas mesmo assim olhei pela janela com a esperança de ele ter deixado no jardim, mas não tinha ovo nenhum, em compensação tinha neve!!!! Vi neve pela primeira vez. Tá, não era uma nevasca, era uma nevezinha bem fraca, mas era neve, e para um brasileiro tava bom demais.&lt;br /&gt;Coloquei um casaco por cima do pijama e saí na rua para ver a neve cair. O gramado em frente de casa tava todo branco, e os carros na rua e as muretas estavam com uma camada macia de neve. Peguei um punhado de neve da mureta da frente de casa e fui moldando minha primeira bola de neve enquanto dava volta no quarteirão debaixo da neve fina caindo. Não sei como explicar a textura da neve, não sei explicar como é a neve, sei que é fria, minha mão tava gelada brincando com o punhado de neve e meu rosto tava congelando com uma pedra de gelo bem no meio, no lugar do nariz.&lt;br /&gt;Terminei a volta no quarteirão e já não tava mais caindo neve, e a bola de neve na minha mão, que poderia ter sido a cabeça do meu primeiro mini-boneco de neve, resolvi espatifar no muro do outro lado da rua.&lt;br /&gt;Entrei em casa, enfrentei mais um banho, tomei um café e resolvi procurar uma igreja. Já que era Páscoa e se já não tive ovo de Páscoa pelo menos a missa tinha que ter. Não sei onde tem igreja aqui perto, daí resolvi ir a uma que tinha visto no dia em que fui na Abey Road. Era pequena, tava lotada, a missa foi boa. Parecida com a do Brasil, algumas pequenas diferenças mas nada de mais. O que é engraçado é que as leituras em outra língua parecem ser muito mais importantes. Durante as leituras me senti assistindo à introdução de algum filme épico, sei lá porque.&lt;br /&gt;Depois da missa fui almoçar. Por ser Páscoa e por estar em Londres, a única coisa que poderia comer era um Fish and Chips, que é um prato típico aqui de Londres e se resume em um filé de bacalhau, com batatas fritas e ervilhas. Pronto não tive ovo de páscoa mas pelo menos o bacalhau estava garantido.&lt;br /&gt;Voltei para casa e passei o resto do dia no quarto tentando me esquentar debaixo do cobertor, estudando, lendo, assistindo tv e o restinho de neve que de vez em quando caía do lado de fora. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-730210756812971393?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/730210756812971393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=730210756812971393&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/730210756812971393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/730210756812971393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/03/pscoa-sem-coelho.html' title='Páscoa sem coelho'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-6952612395721416392</id><published>2008-03-21T19:02:00.000Z</published><updated>2008-03-21T19:14:30.696Z</updated><title type='text'>Batalha diária</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;6:00 da manhã à 0oC&lt;br /&gt;Mensagem no celular: Passo aí para te pegar as 7:00&lt;br /&gt;Mensagem mental: Preciso tomar banho&lt;br /&gt;Mensagem corporal: Não saio da cama de jeito nenhum!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que começa a maioria dos meus dias.&lt;br /&gt;Depois de alguns minutos me revirando na cama e tentando conciliar as mensagens, vou ao banheiro para tomar banho! É nesse exato momento que eu me pergunto todo dia: “Por que cargas d’água eu resolvi sair do Brasil?”. O banho é definitivamente um dos piores momentos do dia. Além de ser um frio do caramba e ser praticamente de madrugada, o banheiro aqui não tem um chuveiro decente, não tem uma DUCHA! Uma LORENZETTI!! Que saudades da Lorenzetti! Tenho que tomar banho de chuveirinho, com água morna, é, não é quente, é morna.&lt;br /&gt;Bom, já devem ter imaginado o sofrimento. Depois de alguns dias sofrendo absurdamente, passei a adotar uma tática para os banhos dos dias mais frios. Tomar banho por partes. A eficiência é garantida e o sofrimento minimizado. Vou explicar como:&lt;br /&gt;Primeiro detalhe, tirar toda a roupa assim que entra no banheiro é o maior erro de todos!&lt;br /&gt;Primeiro, abro o chuveiro e espero até ter certeza absoluta que consegui a atingir a maior temperatura possível da água.&lt;br /&gt;Aí sim começo a tirar a roupa, mas só a parte debaixo: calça, cueca e meia. A camiseta e a blusa do pijama ainda não. Aproveitando que não é uma ducha e sim “chuveirinho”, tomo banho primeiro só da cintura para baixo enquanto continuo agasalhado da cintura para cima. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de terminada a primeira metade do corpo, não tem mais jeito. É hora de enfrentar o sofrimento. Tiro a blusa e a camiseta e termino o restante do corpo, deixando a cabeça para o final, claro. A cabeça é a última etapa, quando preciso ter muita atenção e destreza, qualquer segundo perdido é mais um momento de sofrimento.&lt;br /&gt;Bom, depois de terminada a parte de baixo, a parte de cima e a cabeça, chegou a hora de desligar o chuveiro e se enxugar, certo? NÃO!!! Lógico que não, se fizer isso eu morro de frio, o correto é se secar com o chuveiro ligado! Enquanto seco a cabeça, foco o chuveirinho do pescoço para baixo. Enquanto seco os braços e o tronco, foco o chuveirinho da cintura para baixo. E só depois ter secado a parte de cima da cintura e ter colocado a camiseta, que estava estrategicamente posicionada, desligo o chuveiro e me seco da cintura para baixo.&lt;br /&gt;Essa é a minha batalha que se inicia a cada dia!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O lado bom, é que depois de tomar esse banho eu sei que, muito provavelmente, a pior parte do dia já passou. E já estou pronto para enfrentar qualquer coisa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-6952612395721416392?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/6952612395721416392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=6952612395721416392&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/6952612395721416392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/6952612395721416392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/03/batalha-diria.html' title='Batalha diária'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-3743617248417529487</id><published>2008-03-13T19:27:00.000Z</published><updated>2008-03-14T19:16:54.965Z</updated><title type='text'>Speaker's Corner</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Uma das coisas boas de se morar em Londres, é que você já está em Londres. Não precisa viajar para conhecer lugares turísticos, basta sair de casa e procurar por um. Se você não achar nenhum, o que é difícil, tire foto de qualquer prédio e depois invente uma história sobre ele e pronto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas é fácil achar pontos turísticos por todas as partes. Domingo eu saí de casa para comprar algo para tomar café da manhã, como não tinha nada aberto perto de casa comecei a andar até achar algo para comer. Como eu já tinha andado bastante resolvi andar mais, sem rumo. Só andar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nessa andança acabei passando pela Abbey Rd, andei por ela inteira procurando a tal famosa faixa de pedestres que, de acordo com Murphy, só poderia estar na outra extremidade. Mas achei, tava lá: eu, a faixa de pedestres e uns 10 turistas tirando fotos na mesma posição da capa do disco dos Beatles. Confesso que só não tirei uma foto atravessando a rua, porque tava sem a maquina fotográfica. É um tanto engraçado ver os turistas tirando fotos, porque a rua é relativamente movimentada. Mas como os turistas estão na faixa de pedestres os carros precisam esperar eles atravessarem, o que às vezes demora alguns ajustes de foco, zooms out, zooms in, uma leve ajeitada no cabelo..... enquanto isso os carros lá, esperando. Ahhh se fosse em São Paulo com certeza já teriam morrido alguns turistas atropelados.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ok, primeiro ponto turístico do dia, mas não desisti, continuei andando sem rumo. Andei um bocado, prédios, igrejas, mais prédios, lojas, avenidas e quando eu vi estava no Hyde Park, Mable Arch e Oxford Street, mais pontos turísticos. Mas o que mais me chamou atenção foi a Speaker’s Corner no Hyde Park. É um lugar aonde as pessoas vão para discursar, para falar de qualquer coisa que tenham interesse. Depois vim a saber que dentre os frequentadores deste lugar no passado estavam Karl Marx, George Orwell e Vladimir Lênin. Mas hoje em dia, pelo que me pareceu, o povo que discursa lá não é tão nobre assim. Logo que cheguei nesse lugar vi umas 30 pessoas em volta de um sujeito sobre uma escadinha de 3 degraus e uma pequena lousa no chão apoiada na escada. Na lousa estavam escritos uns 10 tópicos sobre os quais ele estava apto a discursar, o público escolhia um tema e ele começava a falar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O primeiro tópico que o ouvi defender foi que as mulheres devem apanhar. Que todo homem deve bater na sua mulher, namorada ou noiva e deve bater única e exclusivamente porque elas gostam. O cara era muito engraçado e levava o publico a gargalhada, até mesmo as mulheres. Logo em seguida um rapaz que estava assistindo os discursos escolheu o tema diferenças culturais, mas ao mesmo tempo um outro senhor escolheu sexo com animais. Depois de uma rápida votação entre o publico, que a essa altura já tinha praticamente dobrado, obviamente sexo com animais venceu com uma larga vantagem. O cara começou a defender sexo com animais, e o publico se matando de dar risada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Dei alguns passos para fora da pequena multidão que tinha se juntado e a menos de 5metros do discurso sobre zoofilia tinha outro cara sobre um banquinho. Dessa vez era um senhor, negro, barbudo, discursando e apoiando as guerras santas e os “soldados de Deus”, O público dele era um pouco menor, mas muito mais contestador, achei que uns lá iam sair no tapa, mas eles eram Ingleses e discutiam gritando “Excuse me Sir!” “Sorry Sir”. E não passou disso.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Voltando para casa, agora de metrô, decidi que um dia ainda vou voltar àquela praça, subir num banquinho e começar a discursar. A meta é manter um público de pelo menos 15 pessoas por 10 minutos. Se conseguir isso, vou poder colocar INGLÊS FLUENTE no meu currículo sem medo algum! Só preciso decidir qual será o tema!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-3743617248417529487?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/3743617248417529487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=3743617248417529487&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/3743617248417529487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/3743617248417529487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/03/speakers-corner.html' title='Speaker&apos;s Corner'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-642105676504763520</id><published>2008-03-01T16:02:00.001Z</published><updated>2008-09-22T22:22:47.466+01:00</updated><title type='text'>Façam as suas apostas</title><content type='html'>Incrível como o povo britânico gosta de apostar! A loteria aqui é super famosa, o sorteio é feito na tv, num programa com apresentadores, modelos pegando as bolinhas e etc.&lt;br /&gt;No trabalho a galera faz uma vaquinha, cada um dá £1,0 por semana para a fezinha e o dinheiro acumulado, se houver algum ganho, vai para a caixinha e no final do ano a galera divide o dinheiro! Como se isso não bastasse está sendo organizada uma integração entre os funcionários numa corrida de cães.&lt;br /&gt;Para não ficar por fora, e também matar a minha curiosidade, hoje resolvi entrar em uma das milhares casas de apostas que tem por aqui. Precisava aprender como funciona para não fazer feio com o pessoal da “firma”. Entrei na casa, por sorte, sem dinheiro algum no bolso, e comecei a acompanhar uma corrida de cães em uma das várias tvs espalhadas pelas paredes. O cachorro que eu tava torcendo sumiu da tela e acho que acabou em uma das ultimas posições. A principio achei meio sem graça, depois comecei a entender melhor, nas tvs tem vários dados sobre as próximas corridas, tipo a velocidade média de cada cachorro naquele tipo de corrida, as ultimas corridas de cada um, a velocidade de arranque e etc... a partir daí dá para fazer apostas e torcer. Em seguida começou uma corrida de cavalos movimentadíssima, os velhinos que estavam sentados ficaram todos entusiasmados gritando coisas do tipo: “go baby, go BABY, GO BABY!!! YEAHHHHHH!!!!” muito estranho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas resolvi focar em uma corrida de cavalos que ia começar as 2:00, fiquei observando os nomes dos cavalos, qual era favorito, a cor da camisa dos jóqueis e mentalizei uma aposta. Não tinha dinheiro então só fingi que tinha apostado, triste, eu sei. A minha aposta era em primeiro o número 7 Crackadee, em segundo no.9 John Diamond e em terceiro no.6 Snowy. Peguei minha cadeira e fiquei esperando a corrida começar. Quando começou a transmissão, vi os cavalos chegando e tive certeza que o número 3 um tal de Jack alguma coisa ia dar trabalho. Ele tava todo serelepe esperando a corrida começar enquanto que o Snowy tava cabisbaixo. Mas tudo bem, já tinha feito minha aposta mental, agora tinha que torcer.&lt;br /&gt;Assim que a corrida começou o número 3 disparou na frente, seguido por um pelotão de cavalos entre eles o Crackadee, o Diamond corria por fora e o Snowy lá atrás coitado. Acabou a primeira volta, com Jack alguma coisa em primeiro Crackadee em segundo disputando posição com um outro cavalo, Diamond por fora e Snowy nem aparecia. Na segunda volta o Crackadee já caiu para quinto, Diamond continuava por fora sem se misturar com o resto e o Jack em primeiro firme e forte. Mas na terceira e ultima volta o Jack não agüentou, começou a cansar, cansar e acabou sendo engolido pelo pelotão que vinha atrás e numa disparada fenomenal Diamond se distanciou absurdamente de todo mundo, tomou a dianteira e era certeza que ia ganhar, quando de repente o Crackadee saiu da quinta posição ultrapassando todo mundo, encostou no Diamond na ultima curva e os dois foram pau a pau até a linha de chegada onde Crackadee cruzou com uma cabeça a frente de Diamond! Ahhh.... primeiro palpite em corridas de cavalos e eu acertei as duas primeiras posições!! Ainda bem que tava sem dinheiro se não já ia me entusiasmar e perder as calças lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi ir embora antes que começasse outra corrida! E quando tava saindo vi um luminoso no canto da casa de aposta escrito: “Ifcat Trip bet here”. Achei estranho e fui ver do que se tratava aquilo. Descobri que era um jogo gigantesco que começou no Brasil logo no início do ano e virou febre aqui em Londres, todo Londrino acompanha. A idéia é apostar quanto tempo vai durar a viagem do Ifcat nas terras da rainha. Grandes apostadores perderam fortunas acreditando nas opções mais populares, tais como:&lt;br /&gt;- Não chega nem em Guarulhos!&lt;br /&gt;- Vai ter caganeira no aeroporto e não vai embarcar!&lt;br /&gt;- Vai ser barrado na Imigração em Londres!&lt;br /&gt;- Com essa cara de bobo, não dura nem uma semana!&lt;br /&gt;E assim por diante....&lt;br /&gt;Atualmente os tablóides gratuitos aqui começaram a acompanhar o jogo e as apostas aumentaram. Já tem gente apostando em um possível casamento com uma das netas da Rainha o que levaria o coitado a ter que entrar para a aeronáutica Inglesa para provar o amor a pátria e a viagem acabaria em uma batalha no Iraque.&lt;br /&gt;Aproveite faça a sua aposta também!&lt;br /&gt;Coloque um comentário com sua aposta, deposite sua grana na minha conta e eu vou até a casa de apostas mais perto e oficializo sua fezinha.&lt;br /&gt;Aqui o importante não é competir, o importante é apostar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não perca tempo! Aposte Djá!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-642105676504763520?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/642105676504763520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=642105676504763520&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/642105676504763520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/642105676504763520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/03/faam-as-suas-apostas.html' title='Façam as suas apostas'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-2667344997011537274</id><published>2008-03-01T15:55:00.000Z</published><updated>2008-03-01T16:02:19.505Z</updated><title type='text'>uma semana</title><content type='html'>17/02/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To aqui há um pouco mais que uma semana, já estou entrando na rotina do povo daqui, mas ainda falta muito para me acostumar.&lt;br /&gt;Apesar de muita coisa ser muito parecido com a minha vida em São Paulo (Graças a tal da Globalização) ainda tem muita coisa peculiar que não é fácil de se acostumar.&lt;br /&gt;A começar pelo transito, todo mundo sabe que aqui os carros andam no sentido contrário e que a direção fica do outro lado do carro, mas não é fácil de lembrar disso toda hora. A primeira coisa que eu vi aqui em Londres quando saí da estação de trem no primeiro dia, foi um carro em alta velocidade com uma criança dormindo ao volante, só depois do susto que fui lembrar que o volante era do outro lado. Agora já estou um pouco mais acostumado, mas tenho que ficar repetindo pra mim mesmo quando vou atravessar a rua: “primeiro olhar para direita, depois para esquerda”. Ahh, ainda não peguei nenhum ônibus de dois andares, e nem um daqueles táxis pretos. Possivelmente nem pegarei tão cedo. Por falar nesses táxis, um dos maiores mistérios atuais de Londres envolve um deles. Um dos taxistas da cidade, está abordando as passageiras com champagne, dizendo que ganhou na loteria e que gostaria de comemorar, mas ele coloca tranqüilizantes na bebida e depois abusa delas. Até agora 3 mulheres já prestaram queixa, mas acredita-se que existam mais mulheres que não prestaram queixa por vergonha. Se fosse no Brasil o cara já estaria sendo chamado de o Maníaco do Táxi!&lt;br /&gt;Voltando aos costumes, depois do transito, tem as comidas. Eles realmente comem ovo mexido com salsichas no café da manhã. Mas o mais estranho é o café, eles bebem café como se fosse chá. No Brasil se te oferecem café, normalmente vem aquela xícara pequena de café, com açúcar ou adoçante. Aqui eles normalmente perguntam: “café ou chá?” até agora nunca respondi chá para ver o que acontece, mas se você responde café eles enchem uma caneca de café aguado. Muito café, quer dizer muita água no café! E o mais engraçado, nos meus cafés da manhã aqui na casa, a Tina sempre coloca para mim, café e suco de laranja, o café nessa caneca gigante e o suco num copo bem pequeno com só dois dedos de suco!!! Vai entender esse povo!&lt;br /&gt;Fora isso, qualquer lugar que você for comer, o prato vai vir acompanhado de “Chips” que são as nossas batatas fritas. A Chips deles é como se fosse nosso arroz, tem que ter sempre. Ahh, e ervilhas também, eles adoram ervilhas. Teve um dia que o jantar aqui foi: salsichas, purê de batatas, purê de ervilhas e ervilhas!&lt;br /&gt;Outra coisa para se acostumar aqui é o jeito de se tomar cerveja, nos Pubs eles não servem as tradicionais garrafas de cerveja ou chop, aqui a cerveja vem nuns copos grandes, os pints, eu não lembro direito quanto tem em cada pint, mas deve ser o equivalente a um pouco menos que uma garrafa. Acho que esse vai ser uma das coisas mais fáceis de se acostumar.&lt;br /&gt;Fora a comida e o transporte, tem o problema da língua. Apesar de conseguir me virar muito bem por aqui, tem algumas pessoas que eu tenho enorme dificuldade em entender. Eu não consigo entender muito bem o que a Tina diz por exemplo, não sei porque, acho que ela fala meio enrolado, nem ela nem o namorado dela. No trabalho é mais fácil de entender o que o povo fala, inclusive tem um cara que senta na mesa em frente a minha que fala exatamente igual àquelas gravações dos livros de inglês que a gente usa. Tenho certeza que ele ganha um dinheirinho extra fazendo essas gravações. Na escola tem algumas pessoas que eu entendo perfeitamente bem e outras não entendo nada. Na minha sala tem gente de diversos lugares do mundo: uma garota e um garoto do Nepal, uma da África do Sul, outra da Rússia, outra da Nigéria e uma brasileira além de um cara do Paquistão, um Italiano e um turco. Metade da sala já fazia esse curso no semestre passado, só eu, a nigeriana, a Nepalense (sei lá como se escreve) e a brasileira entramos agora nesse semestre. E eu não consigo entender nada, absolutamente nada do que o cara do Paquistão fala, parece que ele fala outra língua e muito pouco do que o cara do Nepal fala também. Mas eu fiquei mais tranqüilo quando o Italiano disse que ninguém entende o que o cara do Paquistão fala às vezes nem mesmo os professores, depois comecei a prestar atenção e sempre que o paquistanês fala alguma coisa, eles dão uma disfarçada e mudam de assunto. E o cara do Nepal, segundo o Italiano também, não fala inglês. Ele só solta algumas palavras perdidas de vez em quando mas não consegue formular frases.&lt;br /&gt;De resto dá para entender bem, tenho um professor grego com um sotaque tão forte que parece que eu estou dentro do “Casamento Grego” a qualquer momento acho que ele vai começar a falar a origem grega das palavras em Inglês! A russa, a Nigeriana e o turco também tem um sotaque bem forte, a Sul africana e o Italiano já falam bem melhor. Ah, e claro, não pude perder a oportunidade de soltar as duas únicas frases Italianas que veio a cabeça: “Manja que te fá bene” e “Se tutti cornuti portati lampione Mama Mia que iluminatione!”. Esbanjei cultura Italiana!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom... vou comer alguma coisa agora! Provavelmente alguma coisa com Chips! E dá-lhe gordura Trans!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-2667344997011537274?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/2667344997011537274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=2667344997011537274&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2667344997011537274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/2667344997011537274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/03/uma-semana.html' title='uma semana'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8644078177739670350.post-7890291553231379073</id><published>2008-03-01T15:49:00.000Z</published><updated>2008-03-01T15:55:23.682Z</updated><title type='text'>Primeiras horas nas terras da Rainha</title><content type='html'>09/02/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou em Londres há dois dias, não conheço nada aqui ainda, não entendo direito o que as pessoas falam e ainda não aprendi a usar o chuveiro da casa, por sorte trouxe meu computador do Brasil e por sorte também achei um sinal de Internet perdido pelo ar aqui da vizinhança. Sem isso eu estaria completamente sem ter o que fazer aqui, nessa casa a noite, visto que os poucos programas que eu vi na TV Britânica são horríveis.&lt;br /&gt;Na casa que eu estou, mora também um casal de americanos, que eu não sei o nome e nem consegui conversar direito com eles. Não apenas porque meu inglês é meio fraco, mas porque eles nem olharam na minha cara direito, estão sempre trancados no quarto, com um aviso do lado de fora escrito: “Não perturbe, estamos fazendo lição de casa”. Além deles, mora a dona da casa, Tina. Ela é bem simpática, mas não entendo muito bem o que ela fala, e a noite aparece um cara aqui que deve ser namorado dela, mas não sei se dorme aqui também.&lt;br /&gt;A casa é bem pequena, mas muito arrumada. O meu único problema é com o banheiro. Ele até que é limpo, perto do meu quarto, está na maior parte do tempo livre, mas ainda não me dei bem com ele. A começar pelo chuveiro, já tomei 4 banhos lá e ainda não consegui entender como ele funciona. Toda vez que vou tomar banho, tenho que cantar: “Chuveiro chuveiro, não faz assim comigo, chuveiro chuveiro eu quero ser seu amigo”, mas não adianta. Acho que ele não entende português, e se cantasse em inglês perderia a rima da música. O caso é que ou ele esquenta muito e faz chá do meu couro cabeludo, ou ele esfria tanto que congela tudo, depois ele começa dar uns pulos e joga água para todos os lados no banheiro. Tenho que enxugar tudo, sempre. O outro problema do banheiro é a descarga, até agora não entendi como ela funciona também. Já tentei puxar umas 20 vezes a descarga, e só sai uma aguazinha bem de leve que nem muda o nível da água que já ta lá na privada. Só agora, na ultima tentativa do dia, eu consegui uma descarga decente, mas não faço a menor idéia do porque que agora funcionou.&lt;br /&gt;Fora o banheiro a casa é boa, o quarto é minúsculo mas é o suficiente e a comida também é boa.&lt;br /&gt;Ontem pela manhã, acordei cedo para ir para a escola e tomei café com a Tina, consegui entendê-la razoavelmente bem e ela também parece ter me entendido. Conversamos sobre nada muito interessante, ela ficou surpresa em saber que apesar de eu ser brasileiro eu não era da Argentina. Fez eu desenhar o mapa da América latina para mostrar onde ficava o Brasil, depois fez eu desenhar a Argentina, para ter certeza que não era a mesma coisa. Depois ficou espantada também em saber que apesar de brasileiro eu não falo espanhol e sim português. E eu que achava que essa história de os gringos confundirem Brasil com Argentina era lenda....&lt;br /&gt;Depois do café fui para a escola, conheci o pessoal todo lá, tem gente de tudo quanto é lugar do mundo. Mas tava todo mundo quieto, calado, só observando. Então, para tentar uma integração entre os alunos, a diretora da escola começou a perguntar o nome de todo mundo, um mais estranho que o outro: da Índia, do Nepal, do Líbano... daí quando chegou minha vez, pediu para repetir porque não tinha entendido, e quis saber da onde era esse nome tão peculiar! Primeira vez na vida, que alguém acha meu nome estranho. Quando falei que era do Brasil, a primeira pergunta foi: “Então você fala espanhol?”&lt;br /&gt;Apesar desse pequeno deslize da diretora, a escola parece ser boa. Depois de toda a apresentação da escola, com direito a ameaças de nos denunciar para a imigração caso a gente comece a faltar muito, eu fui dar uma volta nos arredores.&lt;br /&gt;A cidade é muito bonita, muito movimentada, cheia de turistas, vários prédios antigos, arquitetura, cores, tudo, tudo diferente. Nesse meu passeio pelas redondezas, lembrei do problema da descarga aqui de casa e resolvi procurar um banheiro limpo para poder fazer as necessidades fisiológicas que todo ser humano conhece. Comecei a procurar por museus, shoppings, restaurantes, foi aí que passei em frente à Biblioteca Britânica.&lt;br /&gt;Não teria entrado se não fosse o problema da descarga. O banheiro era muito bom, limpo e honesto! Mas o melhor de lá não é o banheiro, graças a ele eu pude ver vários livros e documentos antigos, entre eles: um trecho da Bíblia escrita em papiro no século III, uma cópia da Carta Magna, um manuscrito do Leonardo da Vinci provando a sua teoria de que existe água na Lua e a Bíblia de Gutemberg, eu achava que ela não existia de verdade. Mas existe tava ali na minha frente, do lado de uma indulgência que ele imprimia para a Igreja vender para os fiéis.&lt;br /&gt;No dia seguinte, no caso hoje, fui dar uma volta pela cidade e aproveitei para passar pelo museu Britânico, dessa vez não foi o banheiro deles que me atraiu, apesar de ser muito bom também, O Museu parece ser absurdamente interessante, mas não consegui ver muita coisa, hoje estava tendo comemoração do ano novo Chinês, e o lugar tava lotado de turistas e maquinas fotográficas, muito mais que o normal. Eu só consegui ver uns Chineses dançando com umas espadas, umas esfinges, uns vasos, mas daí resolvi ir embora e voltar outro dia com mais calma.&lt;br /&gt;Depois do museu eu fui para Oxford St. que é praticamente um Shopping a céu aberto, andei toda aquela rua a procura de uma blusa/jaqueta/casaco, qualquer coisa que pudesse me esquentar quando realmente esfriar. Por sorte consegui encontrar a loja mais barata de toda a rua justamente no ultimo quarteirão dela. É uma loja do tipo C&amp;amp;A, Renner, Riachuelo e similares, bem barata para a alegria do meu bolso. Consegui comprar uma jaqueta, que parece ser razoavelmente boa por apenas £8,00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, foi basicamente isso as minhas primeiras horas na terra da Rainha. Acho que escrevi muito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8644078177739670350-7890291553231379073?l=ifcat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ifcat.blogspot.com/feeds/7890291553231379073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8644078177739670350&amp;postID=7890291553231379073&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/7890291553231379073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8644078177739670350/posts/default/7890291553231379073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ifcat.blogspot.com/2008/03/primeiras-horas-nas-terras-da-rainha.html' title='Primeiras horas nas terras da Rainha'/><author><name>Segato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07310329492579401583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
