O céu estava um azul claro quase branco. Quando era criança ela adorava esse céu, que sempre vinha acompanhado de um friozinho gostoso, que trazia junto consigo um cobertor e um sofá. No sofá, ela e a mãe. Para ser mais preciso, a mãe no sofá, ela na mãe e o cobertor nela. Era a lasanha do frio, que de tão boa nem precisava de pipoca, mas ela sempre estava lá. A pipoca por sua vez trazia um filme no vídeo cassete. O vídeo quase sempre era de algum desenho de algum morador da terra do Senhor Disney. Eles colocavam na sala algumas risadas, as risadas faziam ela se mexer. Cada movimento vinha acompanhado de um carinho no cabelo. Cada carinho era respondido com um beijo. Cada beijo levava a um abraço. Cada abraço não levava a nada. Cada abraço era eterno, não acabaria nunca, nem mesmo com o próximo. Eles iam se acumulando e no final da sessão ela contabilizava uma média de 50 abraços sobrepostos. Não precisava de mais nada, fechava os olhos e dormia por um bom tempo, ouvindo tum-tum da mãe enquanto se aconchegava no vai e vem do diafragma.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
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