sábado, 1 de março de 2008

uma semana

17/02/2008

To aqui há um pouco mais que uma semana, já estou entrando na rotina do povo daqui, mas ainda falta muito para me acostumar.
Apesar de muita coisa ser muito parecido com a minha vida em São Paulo (Graças a tal da Globalização) ainda tem muita coisa peculiar que não é fácil de se acostumar.
A começar pelo transito, todo mundo sabe que aqui os carros andam no sentido contrário e que a direção fica do outro lado do carro, mas não é fácil de lembrar disso toda hora. A primeira coisa que eu vi aqui em Londres quando saí da estação de trem no primeiro dia, foi um carro em alta velocidade com uma criança dormindo ao volante, só depois do susto que fui lembrar que o volante era do outro lado. Agora já estou um pouco mais acostumado, mas tenho que ficar repetindo pra mim mesmo quando vou atravessar a rua: “primeiro olhar para direita, depois para esquerda”. Ahh, ainda não peguei nenhum ônibus de dois andares, e nem um daqueles táxis pretos. Possivelmente nem pegarei tão cedo. Por falar nesses táxis, um dos maiores mistérios atuais de Londres envolve um deles. Um dos taxistas da cidade, está abordando as passageiras com champagne, dizendo que ganhou na loteria e que gostaria de comemorar, mas ele coloca tranqüilizantes na bebida e depois abusa delas. Até agora 3 mulheres já prestaram queixa, mas acredita-se que existam mais mulheres que não prestaram queixa por vergonha. Se fosse no Brasil o cara já estaria sendo chamado de o Maníaco do Táxi!
Voltando aos costumes, depois do transito, tem as comidas. Eles realmente comem ovo mexido com salsichas no café da manhã. Mas o mais estranho é o café, eles bebem café como se fosse chá. No Brasil se te oferecem café, normalmente vem aquela xícara pequena de café, com açúcar ou adoçante. Aqui eles normalmente perguntam: “café ou chá?” até agora nunca respondi chá para ver o que acontece, mas se você responde café eles enchem uma caneca de café aguado. Muito café, quer dizer muita água no café! E o mais engraçado, nos meus cafés da manhã aqui na casa, a Tina sempre coloca para mim, café e suco de laranja, o café nessa caneca gigante e o suco num copo bem pequeno com só dois dedos de suco!!! Vai entender esse povo!
Fora isso, qualquer lugar que você for comer, o prato vai vir acompanhado de “Chips” que são as nossas batatas fritas. A Chips deles é como se fosse nosso arroz, tem que ter sempre. Ahh, e ervilhas também, eles adoram ervilhas. Teve um dia que o jantar aqui foi: salsichas, purê de batatas, purê de ervilhas e ervilhas!
Outra coisa para se acostumar aqui é o jeito de se tomar cerveja, nos Pubs eles não servem as tradicionais garrafas de cerveja ou chop, aqui a cerveja vem nuns copos grandes, os pints, eu não lembro direito quanto tem em cada pint, mas deve ser o equivalente a um pouco menos que uma garrafa. Acho que esse vai ser uma das coisas mais fáceis de se acostumar.
Fora a comida e o transporte, tem o problema da língua. Apesar de conseguir me virar muito bem por aqui, tem algumas pessoas que eu tenho enorme dificuldade em entender. Eu não consigo entender muito bem o que a Tina diz por exemplo, não sei porque, acho que ela fala meio enrolado, nem ela nem o namorado dela. No trabalho é mais fácil de entender o que o povo fala, inclusive tem um cara que senta na mesa em frente a minha que fala exatamente igual àquelas gravações dos livros de inglês que a gente usa. Tenho certeza que ele ganha um dinheirinho extra fazendo essas gravações. Na escola tem algumas pessoas que eu entendo perfeitamente bem e outras não entendo nada. Na minha sala tem gente de diversos lugares do mundo: uma garota e um garoto do Nepal, uma da África do Sul, outra da Rússia, outra da Nigéria e uma brasileira além de um cara do Paquistão, um Italiano e um turco. Metade da sala já fazia esse curso no semestre passado, só eu, a nigeriana, a Nepalense (sei lá como se escreve) e a brasileira entramos agora nesse semestre. E eu não consigo entender nada, absolutamente nada do que o cara do Paquistão fala, parece que ele fala outra língua e muito pouco do que o cara do Nepal fala também. Mas eu fiquei mais tranqüilo quando o Italiano disse que ninguém entende o que o cara do Paquistão fala às vezes nem mesmo os professores, depois comecei a prestar atenção e sempre que o paquistanês fala alguma coisa, eles dão uma disfarçada e mudam de assunto. E o cara do Nepal, segundo o Italiano também, não fala inglês. Ele só solta algumas palavras perdidas de vez em quando mas não consegue formular frases.
De resto dá para entender bem, tenho um professor grego com um sotaque tão forte que parece que eu estou dentro do “Casamento Grego” a qualquer momento acho que ele vai começar a falar a origem grega das palavras em Inglês! A russa, a Nigeriana e o turco também tem um sotaque bem forte, a Sul africana e o Italiano já falam bem melhor. Ah, e claro, não pude perder a oportunidade de soltar as duas únicas frases Italianas que veio a cabeça: “Manja que te fá bene” e “Se tutti cornuti portati lampione Mama Mia que iluminatione!”. Esbanjei cultura Italiana!!!

Bom... vou comer alguma coisa agora! Provavelmente alguma coisa com Chips! E dá-lhe gordura Trans!!!!

3 comentários:

Natalia disse...

pô, eu me lembro muito bem da mão inglesa na austrália. além de quase ter sido atropelada um sem-número de vezes, todo dia de manhã era a mesma coisa: eu entrava no carro e minha hostmom, milly, me entragava as chaves, perguntando: "oh, are you driving this mourning? i thought you still didn't have you license..."

aí, eu corava e pulava pro banco do motorista, digo, do passageiro.

uma pergunta: uma sul-africana na aula de inglês? mas eles não falam inglês lá? fiquei cafusa agora...

Segato disse...

Sim sim, eles falam ingles lá. O curso é que não é de Ingles, é de um tal de "Management".

Chantal disse...

lembrei de mim no primeiro dia, minha hostmom me deu ovo e bacon no cafe da manha. Sem dizer que o cafe aki tb vem num copao, como de coca cola do mc. Aguado que so, mas agora ja acostumei...