09/02/2008
Estou em Londres há dois dias, não conheço nada aqui ainda, não entendo direito o que as pessoas falam e ainda não aprendi a usar o chuveiro da casa, por sorte trouxe meu computador do Brasil e por sorte também achei um sinal de Internet perdido pelo ar aqui da vizinhança. Sem isso eu estaria completamente sem ter o que fazer aqui, nessa casa a noite, visto que os poucos programas que eu vi na TV Britânica são horríveis.
Na casa que eu estou, mora também um casal de americanos, que eu não sei o nome e nem consegui conversar direito com eles. Não apenas porque meu inglês é meio fraco, mas porque eles nem olharam na minha cara direito, estão sempre trancados no quarto, com um aviso do lado de fora escrito: “Não perturbe, estamos fazendo lição de casa”. Além deles, mora a dona da casa, Tina. Ela é bem simpática, mas não entendo muito bem o que ela fala, e a noite aparece um cara aqui que deve ser namorado dela, mas não sei se dorme aqui também.
A casa é bem pequena, mas muito arrumada. O meu único problema é com o banheiro. Ele até que é limpo, perto do meu quarto, está na maior parte do tempo livre, mas ainda não me dei bem com ele. A começar pelo chuveiro, já tomei 4 banhos lá e ainda não consegui entender como ele funciona. Toda vez que vou tomar banho, tenho que cantar: “Chuveiro chuveiro, não faz assim comigo, chuveiro chuveiro eu quero ser seu amigo”, mas não adianta. Acho que ele não entende português, e se cantasse em inglês perderia a rima da música. O caso é que ou ele esquenta muito e faz chá do meu couro cabeludo, ou ele esfria tanto que congela tudo, depois ele começa dar uns pulos e joga água para todos os lados no banheiro. Tenho que enxugar tudo, sempre. O outro problema do banheiro é a descarga, até agora não entendi como ela funciona também. Já tentei puxar umas 20 vezes a descarga, e só sai uma aguazinha bem de leve que nem muda o nível da água que já ta lá na privada. Só agora, na ultima tentativa do dia, eu consegui uma descarga decente, mas não faço a menor idéia do porque que agora funcionou.
Fora o banheiro a casa é boa, o quarto é minúsculo mas é o suficiente e a comida também é boa.
Ontem pela manhã, acordei cedo para ir para a escola e tomei café com a Tina, consegui entendê-la razoavelmente bem e ela também parece ter me entendido. Conversamos sobre nada muito interessante, ela ficou surpresa em saber que apesar de eu ser brasileiro eu não era da Argentina. Fez eu desenhar o mapa da América latina para mostrar onde ficava o Brasil, depois fez eu desenhar a Argentina, para ter certeza que não era a mesma coisa. Depois ficou espantada também em saber que apesar de brasileiro eu não falo espanhol e sim português. E eu que achava que essa história de os gringos confundirem Brasil com Argentina era lenda....
Depois do café fui para a escola, conheci o pessoal todo lá, tem gente de tudo quanto é lugar do mundo. Mas tava todo mundo quieto, calado, só observando. Então, para tentar uma integração entre os alunos, a diretora da escola começou a perguntar o nome de todo mundo, um mais estranho que o outro: da Índia, do Nepal, do Líbano... daí quando chegou minha vez, pediu para repetir porque não tinha entendido, e quis saber da onde era esse nome tão peculiar! Primeira vez na vida, que alguém acha meu nome estranho. Quando falei que era do Brasil, a primeira pergunta foi: “Então você fala espanhol?”
Apesar desse pequeno deslize da diretora, a escola parece ser boa. Depois de toda a apresentação da escola, com direito a ameaças de nos denunciar para a imigração caso a gente comece a faltar muito, eu fui dar uma volta nos arredores.
A cidade é muito bonita, muito movimentada, cheia de turistas, vários prédios antigos, arquitetura, cores, tudo, tudo diferente. Nesse meu passeio pelas redondezas, lembrei do problema da descarga aqui de casa e resolvi procurar um banheiro limpo para poder fazer as necessidades fisiológicas que todo ser humano conhece. Comecei a procurar por museus, shoppings, restaurantes, foi aí que passei em frente à Biblioteca Britânica.
Não teria entrado se não fosse o problema da descarga. O banheiro era muito bom, limpo e honesto! Mas o melhor de lá não é o banheiro, graças a ele eu pude ver vários livros e documentos antigos, entre eles: um trecho da Bíblia escrita em papiro no século III, uma cópia da Carta Magna, um manuscrito do Leonardo da Vinci provando a sua teoria de que existe água na Lua e a Bíblia de Gutemberg, eu achava que ela não existia de verdade. Mas existe tava ali na minha frente, do lado de uma indulgência que ele imprimia para a Igreja vender para os fiéis.
No dia seguinte, no caso hoje, fui dar uma volta pela cidade e aproveitei para passar pelo museu Britânico, dessa vez não foi o banheiro deles que me atraiu, apesar de ser muito bom também, O Museu parece ser absurdamente interessante, mas não consegui ver muita coisa, hoje estava tendo comemoração do ano novo Chinês, e o lugar tava lotado de turistas e maquinas fotográficas, muito mais que o normal. Eu só consegui ver uns Chineses dançando com umas espadas, umas esfinges, uns vasos, mas daí resolvi ir embora e voltar outro dia com mais calma.
Depois do museu eu fui para Oxford St. que é praticamente um Shopping a céu aberto, andei toda aquela rua a procura de uma blusa/jaqueta/casaco, qualquer coisa que pudesse me esquentar quando realmente esfriar. Por sorte consegui encontrar a loja mais barata de toda a rua justamente no ultimo quarteirão dela. É uma loja do tipo C&A, Renner, Riachuelo e similares, bem barata para a alegria do meu bolso. Consegui comprar uma jaqueta, que parece ser razoavelmente boa por apenas £8,00.
Bom, foi basicamente isso as minhas primeiras horas na terra da Rainha. Acho que escrevi muito.
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Um comentário:
Aki eh assim tb, e o pior que todo mundo eh metido a falar espanhol...rs
Daonde vc eh? Brasil. Ah eu falo um poquito de espanhol...
Bom, ainda sinto que meu nome eh estranho..
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