No dia do Jogo recebi uma mensagem no cel de uma amiga falando que ia assistir o jogo num Pub X. Resolvi ir nesse pub também. Desconfiava que não ia passar o jogo lá, pq na mesma hora teria jogo da Inglaterra e França, então provavelmente só passaria o jogo do Brasil em algum bar brasileiro. Mas resolvi tentar esse pub mesmo, já que ela estaria lá.
Saí de casa as 17:45 para pegar o metrô e ir até o Pub, ia chegar cedo para arranjar uma mesa boa, já que o jogo só começaria 19:45. Antes de chegar na estação passei no caixa rápido, saquei o dinheiro do aluguel, porque não sabia se ia lembrar de sacar na volta.
Quando cheguei na estação vi um grupo de brasileiros, camisetas, gorros, bandeiras, perucas, cornetas e toda parafernália que se leva para um estádio. Foi nessa hora que me deu uma vontade absurda de seguir aqueles brasileiros e ir para o estádio também. Mas tava muito em cima da hora, provavelmente não teria mais ingressos, e se tivesse seria muito caro e eu estava sem condições. Entrei no metrô e os brasileiros também, eles falando do jogo e a vontade aumentando, eles alegres, contentes e felizes, e eu com cada vez querendo mais ir ao jogo. Enquanto eles faziam a minha vontade aumentar eu repetia para mim mesmo “não vou, não vou, não vou”. Tava sem dinheiro e eu tava indo pro Pub encontrar minha amiga.
Eu ia descer na mesma estação que eles para fazer baldeação, eu ia pegar a Northen Line para ir pro Pub e eles a Victoria Line para ir pro estádio. Estava decidido, ia pro pub. A estação chegou e de todos os vagões desceram milhares de brasileiros, camisetas, gorros, bandeiras, perucas, cornetas e toda parafernália que se leva para um estádio e eu: “não vou, não vou, não vou”.
Foi aí que eu vi um grupo de suecas também indo pro estádio, todas loiras, branquinhas, olhos azuis, lindas, com a bandeira da Suécia pintada nas bochechas. Então me desconcentrei, parei de repetir o meu mantra “não vou não vou não vou” e quando eu vi já tava na Victoria Line indo para o estádio também.
Já que tava indo para lá, decidi tentar comprar um ingresso de ultima hora. Desci na estação de metrô junto com os brasileiros e tive que andar um bocado até chegar no estádio debaixo de uma garoa fina e um frio chato. No caminho, um monte de Brasileiros fazendo barulho e eu preocupado com meu ingresso. Apareceram alguns cambistas indianos muito suspeitos, oferecendo ingressos, mas não tava afim de arriscar não. Já que tava indo pro estádio ia tentar comprar na bilheteria primeiro, não queria dar meu dinheiro para um Indiano e depois ser barrado na entrada com ingresso falso. Desvencilhei-me dos cambistas e continuei andando.
Cheguei na primeira bilheteria e estava fechada. Me informaram que talvez a bilheteria do outro lado do estádio estivesse aberta ainda, se eu corresse poderia conseguir comprar. Corri. Depois de muito frio, chuva e cansaço cheguei na outra bilheteria. Fiquei na fila, esperei minha vez, respirei fundo e perguntei quanto era o ingresso mais barato. Niquiqui o cara falou o preço várias coisas aconteceram em segundos mais ou menos nessa ordem:
- primeiro começaram a passar na minha cabeça imagens de tudo o que eu poderia fazer ou comprar com aquela dinheirama toda. Não vou citar as coisas aqui para não me arrepender depois e nem ser julgado. Me reservo o direito de ocultar esses detalhes.
- Depois numa rápida olhadela para os lados vi vários brasileiros felizes indo ao estádio e eu como um bom brasileiro que sou, que não desiste nunca, não poderia ficar de fora dessa festa.
- Então comecei a lembrar do outro único jogo do Brasil que tinha assistido no estádio. Fui eu, meu pai e meu irmão tentar comprar ingressos no Morumbi faltando uma hora para começar o jogo. Me veio a cena de nós três na saída do estacionamento muito tristes porque não tínhamos conseguido ingressos e em seguida a nossa felicidade depois de meu pai encontrar no meio da multidão alguns amigos que tinham justamente 3 ingressos sobrando.
- Lembrei do dinheiro do aluguel no bolso, e achei que 90 minutos era mais do que suficiente para arranjar uma boa desculpa para atrasar um pouco o pagamento.
- Enfiei a mão no bolso contei o dinheiro com as pontas dos dedos. Abri o casaco. Estufei o peito e falei: “pode enfiar a faca”!
Comprei o ingresso e me encaminhei para o meu setor que obviamente era do outro lado do estádio. Mas dessa vez pude dar a volta por dentro e ir observando como as coisas podem ser civilizadas dentro de um estádio de futebol. Corredores acarpetados, poltronas almofadadas nos bares, telas de plasma espalhadas pelos salões, coisa de primeiro mundo!
Minha cadeira era no segundo andar, mais ou menos na direção da meia lua de uma das áreas, ótimo lugar, ótima vista. E como era na ultima fileira do setor, poderia ficar de pé sem ninguém me enchendo o saco atrás. Cheguei e estava vazio ainda, resolvi comprar uma cerveja, já que tava na Inglaterra, teria que assistir o jogo tomando minha pint! Mas só depois descobri que não poderia ir para o meu assento com a cerveja, teria que tomar no bar. Fiz amizade com o cara que tava servindo as bebidas e peguei informações de como eu poderia trabalhar lá nos próximos jogos. Afinal vou ter que repor essa grana de algum jeito.
O estádio lotou, 60.021 pessoas! Tudo brasileiro. Vocês devem estar se perguntando a respeito das suecas da estação de metrô, pois é, eu também me perguntei. Não vi uma sueca no estádio, acho que era uma ação marketing para os brasileiros trouxas irem ao jogo. Só tinha brasileiro do meu lado. E brasileiro adora uma festa, tinha gente que nem assistiu o jogo, ficou só preocupado com a “ola” e com as maquinas fotográficas.
Onde eu tava era perto de uma área vip, e no intervalo teve um coquetel e um show de uma bateria de escola de samba, com direito a mulata requebrando e tudo mais. Não tive acesso aos drinks mas pude ver o show e a mulata. No final do jogo teve um show de uma banda sueca, com umas suecas muito sem graça cantando e dançando com os dedinhos pra cima, estilo Angélica quando ela ainda namorava o César Filho!
Não vou comentar o jogo porque vocês devem ter assistido e se não assistiram podem ler o comentário em qualquer site esportivo. Mas o jogo tava chato como a maioria dos amistosos da seleção. No segundo tempo entraram Pato e Anderson que “salvaram” a noite. O Pato fez o gol e o Anderson foi vaiado desde que o alto-falante anunciou a substituição, motivo: ele joga no Manchester e o jogo da seleção foi no estádio do Arsenal. Era só ele pegar na bola que a torcida vaiava. O coitado não teve tranqüilidade para jogar. Mas era engraçadíssimo, a bola chegava nele trazendo junto as vaias, e ele tentava se livrar da bola e das vaias o mais rápido possível. Numa dessas tentativas de se livrar da bola ele deu uma bicuda pra frente que o Pato teve que se matar para conseguir chegar na bola, dividir com o goleiro e fazer um golaço. Resumindo, a jogada do gol brasileiro começou com as vaias da torcida! Eu participei do gol do Brasil!